O Homem Mais Feliz do Mundo – Parte II

Matthieu Ricard

Bom dia, amados seres de luz,

Hoje, trazemos a segunda parte da reportagem O Homem mais Feliz do Mundo, escrita por Haroldo de Castro e publicada na revista Galileu de Agosto de 2008.

Boa Leitura!

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Este é o homem mais feliz do mundo?

Texto: Haroldo Castro, de Katmandu

Ele se baseia no princípio de que dois estados mentais não podem ocorrer simultaneamente. “Podemos ter um acesso de amor e outro, imediatamente depois, de ódio. Mas não podemos sentir ódio e amor ao mesmo tempo por uma mesma pessoa ou objeto”, afirma o monge. “Devemos habituar nossa mente a substituir emoções negativas por positivas. Quanto mais cultivarmos o amor e a bondade, menos espaço teremos para a raiva e o ódio em nossa paisagem mental. É importante saber quais são os antídotos que correspondem a cada uma de suas emoções negativas.”

Há quem diga que a felicidade é uma sucessão de pequenos prazeres. Mas Ricard ressalta que “o prazer é uma experiência fugaz – depende de circunstâncias exteriores, de um momento ou lugar específico. Quase sempre está ligado a uma ação”. Ele lembra que algumas pessoas sentem prazer até em se vingar e em torturar os outros. “A felicidade autêntica não está ligada a uma atividade. É um estado de ser, um profundo equilíbrio emocional.” Ricard argumenta que não existe razão para não buscarmos sensações agradáveis, sejam elas relacionadas com a natureza, com a arte ou ao lado de pessoas queridas. “Os prazeres tornam-se obstáculos somente quando perturbam o equilíbrio da mente e nos levam à obsessão por gratificações. O prazer não é inimigo da felicidade. Se é vivido num estado de paz interior e liberdade, o prazer adorna a felicidade, sem obscurecê-la”, afirma.

Meu diálogo com Ricard estende-se por mais tempo do que eu esperava. Apesar de ele não demonstrar nenhum estresse com os preparativos de sua viagem, meu desconfiômetro avisa que devo encerrar a entrevista. Ele reconhece a gentileza e, generoso, oferece, em formato eletrônico, os originais em francês de seus dois livros mais célebres. Na saída de seu escritório, encontramos um casal de budistas franceses. Eles perguntam qual deve ser a postura em relação à China e ao Tibete. “Conversem com amigos, discutam o tema e falem com seus deputados. É importante informar a todos sobre o genocídio cultural que acontece no Tibete”, responde.

Saio do escritório de Ricard e ouço toques de tambores. Atraído pelo som, chego ao templo principal de Shechen. Alguns monges, visivelmente atrasados para o ritual, retiram suas sandálias e sobem a escadaria com agilidade. A enorme porta decorada está aberta. Sinto-me convidado. Depois de conversar com Ricard sobre as vantagens de desenvolver uma mente mais sadia, em harmonia com o mundo e consigo mesmo, não hesito em entrar no templo. Encontro uma almofada e sento para meditar. Deixo que os mantras embalem minha mente. Tomo consciência de onde estou. Agradeço o presente e lembro-me daquele spam que me inspirou a encontrar um ser humano tão notável como Matthieu Ricard. Talvez ele não seja o “homem mais feliz do mundo”, mas está fazendo sua parte para ajudar outras pessoas a serem mais felizes.

O Outro Candidato

O título de “homem mais feliz do mundo” de Matthieu Ricard é dividido com ao menos mais um monge budista. O nepalês Yongey Mingyur Rinpoche participou das mesmas pesquisas que Ricard, supervisionadas pelo professor Richard Davidson, da Universidade de Wisconsin (EUA). Rimpoche também alcançou elevados índices de atividade das ondas gama. Escreveu um livro, já traduzido para o português, “A Alegria de Viver”. Seu colega Matthieu Ricard assinou o prefácio da edição francesa. “Em sua essência, o budismo é muito prático”, escreve Mingyur Rinpoche. “Trata-se de fazer coisas que encorajem a serenidade, a felicidade e a confiança – e evitar outras que provoquem a ansiedade, a desesperança e o medo.”

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Reflitam sobre isso, amados! A felicidade está aí, dentro de vocês, apenas esperando para ser descoberta e poder brilhar.

Um ótimo final de semana a todos,

Namastê!

Pedro Michepud

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