Reflexões sobre a saúde ou Salutogênese…

cura pelo amor

Para iniciarmos as reflexões sobre este assunto, gostaria de começar com um pequeno relato do psiquiatra alemão Victor Frank sobre sua experiência num campo de concentração nazista:

“… no meio do castigo humilhante, um preso disse: ‘Ah, se nossas mulheres nos vissem assim!’.

O comentário me fez lembrar o rosto de minha esposa e, no mesmo instante, me jogou para fora daquele inferno. A vontade de viver retornou, me dizendo que a salvação do homem é por e pelo amor. Ali estava eu, no meio do suplício, e ainda assim capaz de entender Deus, porque podia contemplar mentalmente a face de minha amada.

O guarda mandou que todos parassem, mas não obedeci – porque não estava no inferno naquele momento. Embora não tivesse como descobrir se minha mulher estava viva ou morta, isso não mudava nada. Contemplar mentalmente sua imagem me devolvia a dignidade e a força. Mesmo quando retiram tudo de um homem, ele ainda tem a bem-aventurança de lembrar-se do rosto de quem ama – e isto o salva”.

Numa pesquisa sobre a avaliação da saúde de um grupo de pessoas idosas, o pesquisador Aaron Antonoksky (1923-1994) em Israel, descobriu que entre os mais saudáveis estavam sobreviventes do Holocausto e surgiu nele a pergunta: por que pessoas, mesmo em situação de extrema demanda, conseguem se manter com o espírito alerta, a alma motivada, conseguem se recuperar rapidamente dos embates e sustentam o stress?  A partir deste questionamento, desenvolveu critérios de qualificação da saúde física e psicológica das pessoas e criou o conceito de salutogênese (do latim salus = saúde e do grego gênesis = origem) que tem o objetivo de chamar a atenção das pessoas para as fontes da saúde e da cura, a nível individual e social.

Esse conceito representou uma mudança de paradigma na medicina que até então buscava uma explicação apenas para a razão de alguém estar doente ou Patogênese (composta pelas duas palavras gregas pathein = sofrer e gênese = origem). E colocou a questão sobre as pesquisas de como a doença aparece e como pode ser evitada, eliminando-se os fatores patogênicos.

Para ficar claro a diferença estes dois conceitos, podemos dar o seguinte exemplo: Quando pensamos nas doenças infecciosas e no modelo de contágio, do ponto de vista da Patogênese, nos perguntamos: Quem é que me contagiou? Como se chama o vírus, a bactéria? Qual o antibiótico indicado? Tem vacina? Do ponto de vista da Salutogênese, nos perguntamos: Por que é que fui eu que apanhei a infecção quando toda a gente à minha volta continuou saudável?

Antonovsky chamou de ‘senso de coerência’ o fundamento da salutogênese e suas questões decisivas são: como aprendo a lidar com qualquer situação na vida, mantendo a minha flexibilidade interior e exterior? Como posso tornar-me tolerante a frustrações e ao stress, e estável no meu caráter?  O senso de coerência significa um estado de harmonia e bem-estar com o meio social, familiar e consigo mesmo. O autor descreveu isso como ‘uma sensação de orientação global, sentimento dinâmico de autoconfiança, gerado no meio interno e externo, que forma um ambiente saudável, de alta probabilidade de êxito na vida’.

Trabalhos posteriores sobre o mesmo assunto basearam o senso de coerência num tripé: significado, flexibilidade e estímulo. Significado são os valores sociais e pessoais que alicerçam a sociedade, associados à potencialidade de troca de informações e a reconstrução desses valores que surge nas relações. Flexibilidade é o potencial de adaptação, seja do indivíduo, seja da sociedade, para haver uma harmonia entre ambos. Estímulo representa tudo àquilo que funciona como força motriz para os indivíduos e a sociedade, e dessa forma aproxima as pessoas da vida, do trabalho, da família e da sociedade como um todo.

A pesquisa sobre salutogênese ganhou adeptos e saiu então do campo acadêmico, encontrando enorme aceitação nos âmbitos espiritual, político, social e econômico e têm sido utilizados pelos pesquisadores que trabalham com qualidade de vida, para definir quais as áreas que são críticas para que o indivíduo sinta-se bem e saudável. Áreas da medicina psicossomática e neurociências do comportamento e as medicinas complementares: homeopatia, medicina chinesa, ayurvédica, osteopatia, naturopatia, yoga, medicina tibetana e medicina antroposófica têm aplicado à teoria da salutogênese.

A conclusão dos pesquisadores é que, reforçando os valores fundamentais do ser humano, como as relações familiares, a espiritualidade, hábitos de vida saudáveis, acesso à informação e isso associado à prática regular de métodos para voltar ao equilíbrio e proteger-se contra o estresse, está criado o ambiente ideal para a salutogênese. Nesse ambiente, fica muito reduzido o campo para alguma doença se instalar. Por isso, ações dessa natureza podem evitar uma porcentagem significativa de muitos dos males que nos afligem hoje em dia.

Vamos abordar mais sobre este assunto em outros posts.

Fontes: sites da internet: Vya estelar e Semente do futuro.

Que você esteja aberto e encontre tudo o que precisa para estar saudável e feliz!

Márcia de Lucena Saraceni


 

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