Reflexões sobre saúde ou Salutogênese – Parte 2

Unicidade com o universo

Como falamos no post anterior, a Salutogênese se ocupa com a origem da saúde e, portanto, com as fontes da saúde física, anímica e espiritual. Quero focar hoje no grande desafio de nossa época: Construir a saúde ou resistência no nível espiritual.

Quantas pessoas existem, hoje, que caem na depressão por terem perdido a confiança na evolução, em Deus e no Homem? Para muitos, torna-se insuportável as informações constantes sobre atrocidades, violência, corrupção, guerras, catástrofes. A consequência são as doenças, drogas, abuso de medicamentos ou atos desesperados como o terrorismo ou o suicídio.

Abraham Maslow (falecido em 1970), um dos fundadores da psicologia e psicoterapia humanista, junto com Carl Rogers e Erich Fromm, à procura das causas da saúde psicológica, examinou pessoas saudáveis e descobriu que aqueles que revelavam maior saúde tinham passado por experiências interiores de romper limites, por exemplo, vivências espirituais, possivelmente extra-corporais, um encontro com Deus ou outras vivências místicas. Descobriu, ainda, que mesmo a alma assolada pela doença psíquica possui um núcleo saudável. Ao conseguir fortalecer este núcleo, a pessoa lidará melhor com os problemas e influenciará mais saudavelmente as pessoas à sua volta.

Então, como podemos fortalecer este conceito de saúde diante das exigências da vida moderna? A resposta vai depender da idéia que cada um tem de si como ser humano e do caminho de auto-desenvolvimento que ele trilha. Isto significa adquirir experiências na vida e descobrir a vida com todas as facetas, com seus altos e baixos, encontrando um novo sentido para tudo. Veja o relato abaixo:

A mãe de Hans Jonas (1903–1984), um filósofo judeu, tinha perdido a vida em Auschwitz, nas câmaras de gás – um fato incompreensível para ele, judeu crente. De acordo com a tradição judaica, Deus vive na história, atua na história, acompanha a humanidade no processo histórico. Deus torna-se, por assim dizer, vivenciável na história e não castiga os justos. No pós-Auschwitz, Jonas teve de interrogar-se: onde estava Deus, quando Auschwitz aconteceu? Virou as costas à humanidade, abandonou-a? Será que Deus nunca existiu? Ou será que Deus modificou a sua relação com a humanidade, acompanhando a evolução desta? Por via de questões como essas, Jonas chegou a um conceito de Deus processual, evolutivo, descrito no seu livro “O conceito de Deus no pós–Auschwitz. Nesta obra pergunta: Deus pode ser, ainda, universalmente sábio e onipotente, depois de o holocausto ter acontecido? E constata que Deus, em relação ao homem, já não pode ser universalmente sábio e onipotente, porque assim o holocausto nunca teria acontecido. Deus partilha a sua sabedoria e potência com o homem dando-lhe a chance de optar em liberdade pelo bem, mas também a possibilidade de errar e enveredar pelos caminhos mais aberrantes. Agora é o homem que precisa de saber o que faz. Ele, não Deus, é responsável pelo que faz com as próprias mãos. Jonas descobre a região do meio como o lugar onde reside a humanidade. É a região do coração, da consciência moral, do amor, que é compatível com a liberdade do homem e com a sua autonomia cognitiva. Só nesta região é possível uma relação estável entre o homem e Deus, desde os primórdios da criação até ao dia de hoje. O conhecimento e o poder podem ser abusados. Servem ao homem para que desenvolva as capacidades, e a consciência de si. Mas o amor é. Caracteriza o núcleo eterno no homem ao qual Deus permanece ligado, mesmo em Auschwitz. Deus é amor. Este Deus pode estar presente em Auschwitz, acudindo a quem estava nas câmaras de gás. Este “conceito de Deus pós–Auschwitz” salvou a imagem que Jonas tinha de Deus.

Encontrar um sentido para tudo, compreendendo o mal e o negativo, dentro de uma perspectiva maior e, a partir daí encontrar o seu conceito de Deus é o princípio salutogenético mais forte. Mobiliza todos os recursos de resistência do homem. Dá resposta à pergunta: como posso manter-me saudável, face aos ataques físicos, anímicos e espirituais?

Nas pesquisas sobre a salutogênese e, evidenciados em dados estatísticos, há três princípios fundamentais:

O primeiro princípio significa cultivar conscientemente uma relação com Deus e com o mundo espiritual: eu estou em Deus e Deus está em mim. O recurso de resistência mais forte é a vivência de Deus, a vivência mística, ou também a vivência da própria identidade como Eu, como ser eterno.

O segundo princípio é o da invulnerabilidade que mobiliza os recursos de resistência, é o princípio da relação humana. Pessoas em situações extremas relatam, com grande freqüência, que só conseguiram vencer graças ao sentimento de ligação profunda com uma ou várias pessoas. Nelson Mandela, por exemplo, relata que o que o manteve por 27 anos na prisão foi a certeza que lá fora a sua mulher continuava na luta. As relações estreitas, calorosas e seguras, seja com o pai, a mãe, os avós, amigos, companheiros, esposos, dão-nos um sentido de proteção: já não nos sentimos sós, abandonados, nem por um momento, pois este amor envolve-nos, sustenta-nos o tempo todo. Esta força pode também emanar de uma relação estreita com um falecido. Quem vivenciar esta força, oferecendo-a aos outros, será capaz de resistir às situações mais adversas. Saberá que vale a pena viver, apesar do pesadelo que está a vivenciar no momento e que passará com o tempo.

O terceiro princípio tem a ver com a segurança material. Sabendo que pode gozar a vida em cheio, logo que tenha saído da situação atual adversa, terá maior resistência.

Dessa forma, a saúde do homem moderno depende, numa parte decisiva, da idéia que tem de si como ser humano e do caminho de desenvolvimento pessoal que trilha. Quanto mais o ser humano se sente parte de um todo, baseando-se numa perspectiva abrangente, tanto mais ele contribui não só para o seu bem estar, mas também para a prosperidade do todo. Quanto mais isolado, e quanto mais desconexa for à ação e seu trabalho, tanto maior o risco de se tornar um fator de doença no processo evolutivo.

Fonte: site Semente do Futuro

Que você encontre o equilíbrio saudável em sua vida!

Márcia de Lucena Saraceni

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