Conscientize-se de sua própria sombra

Há alguns dias, em uma conversa com amigas, acabamos falando sobre pessoas que entram em nossas vidas e provocam discórdia, falando mal dos outros, aplicando um olhar de maldade…  A partir disso, comecei a rascunhar o texto sobre nossa sombra e, com a sincronicidade do Universo,  uma outra amiga me encaminhou um texto de Otávio Leal, que fala exatamente sobre ela!

Por ser um texto muito longo, vou reproduzí-lo em partes. Vale a pena ler e fazer várias reflexões sobre ele.

“Medite sobre o que mais o incomoda em relação às pessoas. Não aspectos superficiais, mas algo que realmente você abomine, odeie. Talvez seja ingratidão, traição, injustiça, ciúme, medo ou impaciência. Reflita. Você já pensou por que odeia isso?

Agora espero de você muita coragem.

Será que aquilo que o incomoda em relação aos outros não é algo que está aí, escondido dentro da sua mente? Talvez tão escondido que agora esteja inconsciente?

Jung dizia: “O que nos irrita nos outros pode nos levar ao conhecimento de nós mesmos”. Vamos mais fundo nessa questão.

Toda criança é total ao nascer. É inteira, mas no decorrer da vida começa a se dividir. Ela é influenciada pela sociedade, pela religião e pela família, começando a negar algumas características consideradas más. É a qualidade, o jogo do que é bom ou mau. Com a chegada da maturidade, ela já negou muito de sua personalidade real. Esconde uma parte de si, acha pecado, errado e sujo algo que é dela, e tudo o que é rejeitado fica escondido ou guardado no inconsciente.

Isso se chama sombra, é tudo o que negamos na busca absurda de sermos perfeitos para os outros, com um eu ideal. Um exemplo é a história:  O médico e o monstro, do Dr. Jekill e Mr. Hyde. Dentro do bondoso médico ficava escondida a sua sombra, como o monstro, Mr. Hyde. Também encontramos exemplo da sombra no livro O retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. O jovem Dorian faz um pacto com o diabo para sempre ter uma beleza impecável e assim todos seus traços de envelhecimento físico além de egoísmo, obsessões, crueldade, cinismo seriam transferidos para um retrato de sua imagem jovem e perfeita.  Esse retrato é guardado e ninguém o vê, a não ser Dorian – quando curioso, e ele vê o retrato cada vez mais feio, repugnante e cada dia mais velho.

Assim é a nossa sombra. Como Dorian, desejamos mostrar uma face harmoniosa, amável, inteligente, e escondemos os nossos verdadeiros sentimentos, aqueles dos quais nos envergonhamos.

É claro que devemos procurar preservar de nossa sombra as pessoas com quem nos relacionamos, senão criaremos confusões todo o tempo. O que não podemos é negá-la para nós mesmos, até porque ela possui aspectos muito positivos.

Todos temos uma máscara, que é a imagem que passamos para o mundo. Na astrologia nós a chamamos de ascendente, que é como as pessoas nos vêem, é nosso impulso, a personalidade adquirida com a vida e por meio da qual transmitimos aquilo que temos de melhor. Chama-se persona na psicologia e é como gostaríamos que todos nos reconhecessem. Por exemplo: no namoro superficial colocamos nossa persona, enquanto num relacionamento mais profundo acabamos por mostrar nossa sombra.

Fazemos com que nosso eu se divida em três partes:

  • O “eu perdido” – tudo o que reprimimos para agradar “aos outros”;
  • O “falso eu” – a imagem que criamos para agradar “aos outros”;
  • O “eu negado” – a parte que “os outros” nos ensinaram ser negativa e por isso é negada.

São exemplos: egoísmo, raiva, desejos sexuais (reprimidos), vingança, “erros do passado”, culpa (que não cria nada), traição, falsidade, desejo de poder, mentiras, nossas brigas com Deus / Deusa, “pecados”, vergonha, etc.

É provável que você tenha a maioria dessas características e outras mais. E não é só você. Todos são assim. Reconheça isso.

Jung sabia que a sombra é perigosa quando não reconhecida, pois projetamos nossos aspectos destrutivos no mundo e nos outros e somos inteiramente escravos dela até que domine nossa mente e passemos a pulsar somente ódio, tristeza, julgamentos, dor, reclamações, etc.

Começamos a ver defeitos em todas as pessoas, julgamos e enxergamos a sombra de nosso vizinho, da religião que não seja a nossa, de outra cultura, mas não vemos nossa sombra.

Muitas das “guerras espirituais” ou “religiosas” acontecem exatamente por isso. Vemos trevas em tudo e essas trevas são projeções do que temos em nosso interior. Atos impulsivos que depois geram arrependimento. Situações em que se humilham os outros. Raiva exagerada em relação aos erros alheios. Depressão quando se olha para dentro.

Francisco de Assis era sombra e luz, mas escolheu o caminho de luz; Hitler era sombra e luz, mas escolheu o caminho da sombra. Hitler tinha a semente de Francisco, mas Hitler se tornou Hitler. Francisco tinha a semente de Hitler, mas se tornou Francisco. Francisco trabalhou sua sombra e tornou-se um mestre, que é ícone de compaixão, tolerância e amor à vida.

Esse é um trabalho para toda a vida e, como recompensa, nos permite perdoar aos outros e a nós mesmos pelo que achamos mau, pois a compaixão e a tolerância iniciam-se conosco e expandem-se para o próximo.”

Gostou do texto? Então, aguarde o próximo post, para acompanhar a sequência desta reflexão.

Que você encontre tudo que precisa para ser Feliz!

Márcia de Lucena Saraceni

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2 comentários Adicione o seu

  1. Rosangela Brandino disse:

    Querida Márcia!!!

    Claro que iria dar uma passadinha por aqui pra ler!!!
    Nunca é demais,e ainda um texto profundo e trimembrado!? ; – imperdível!
    Graças a Deus que a luz sempre vem chegando… onde há sombras.
    Muito obrigada!

    Bjs

  2. Márcia Lucena disse:

    Oi Rosângela, realmente “trimembrado” ficou mais fácil de ler, de refletir …
    Grata pelo seu comentário e por sua passadinha por aqui.

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