Ao pé do farol não há luz…

Hoje quero compartilhar com vocês um momento pessoal que vivenciei… Era o dia do aniversário de meu pai (que já partiu, de volta, para a pátria espiritual) e meu irmão me enviou um email, que muito me emocionou…

“Manhã especial do dia 20 de dezembro, ele iria completar 84 anos se estivesse entre nós, mas meu pai partiu havia um ano… Saudosa, com a sua imagem em meu coração, procurei enviar-lhe flores e muita Luz. Fechei os olhos e me lembrei de sua presença carinhosa, seus olhos verdes transparentes, sua voz me abençoando e a cada filho que falasse com ele: “Deus te abençoe minha filha(o) e te cubra de felicidade.” Esse era o seu jeito de dizer olá ou de se despedir. Sua benção era reconfortante, sentia todo o seu amor e carinho, nesta benção… Hoje sou mãe e procuro abençoar meus filhos como ele fazia comigo e, a cada noite, o meu “boa noite”, vem acompanhando da benção de meu pai.

Aquela manhã trouxe lembranças fortes a todos nós, seus filhos. Ao abrir o meu e-mail e ler a mensagem do meu irmão, também saudoso da presença de nosso pai, me emocionei…

Vejam o email:

Acordo e vejo por sobre a janela do meu quarto a luz do sol. Do sol de um novo dia. A luz que ilumina e iluminará o caminho da vida nesse dia. O dia do aniversário do papai. O dia do aniversário não deixa de existir, quando o aniversariante “deixa de existir”.

E para homenagear o nosso aniversariante me pego com a mensagem abaixo: Ao Pé do Farol, pois como o sol é a luz que ilumina a vida da nave Terra (não unicamente) os pais podem ser vistos como o farol que ilumina a nave filhos – “que um dia serão pais, que um dia terão filhos”.

Decidi compartilhar algo muito pessoal porque o que mais tenho escutado nos noticiários são reportagens sobre violência entre pais e filhos. São filhos ou pais que perderam os valores essenciais de uma família: o amor, a união, a força, a ética, a honestidade e tantos outros valores…

Perderam a essência do Ser.

Pais que são faróis apagados e filhos que caminham sem luz para guiá-los.

Ao Pé do Farol – Autor Desconhecido

“Li,  certa vez que, ao  pé do Farol, não  há luz. Mas  o que dizer,quando falamos  não de uma proximidade  geográfica, mas emocional,  como na relação entre  pai e  filho, por exemplo?
Somente  hoje, distante de meu  pai, vejo o suficiente  para enxergar, com relativa  nitidez, a luz de  seu Farol e para  compreender  a liberdade  acolhedora de seu amor  que, à época, eu percebia  como sufocante e limitador.
Foi  preciso jogar-me ao  mar, navegar nas ondas e  intempéries daquilo a que  chamamos vida, para vislumbrar não  somente em que me  tornei, mas também para  reconhecer a segurança do  porto de onde parti.

Só  assim pude entender não apenas o que hoje sou, mas de que raízes  brotei…
Lembro-me de, quando jovem, ter dado a meu  pai um livro do  genial poeta Kahlil  Gibran. No  capítulo “Dos Filhos”, Gibran escreve:
“Vossos filhos não são vossos filhos. São  filhos e filhas da ânsia da  vida por si mesma.”
Eu, como  todo jovem, clamava  por liberdade. E, como  jovem, ignorante e esquecido dos perigos do desconhecido, enxergava  apenas o mar que  à minha frente se  expandia.
Dar o livro a meu pai  era como dizer a  ele:  deixa viver, me conceda  a liberdade plena da experiência.”
Lembro  que toda vez que  discutíamos sobre liberdade, ele me falava  dos perigos que a  vida nos reserva.
Mas  eu, que estava ao  pé do Farol, enxergava apenas a beleza  do horizonte e meus olhos não percebiam  a dureza do percurso…Hoje  sou pai.
Os  filhos crescem, amadurecem e percebo que, como  muitos pais, continuo  a tratá-los como se tivessem sempre a mesma  idade, a mesma mentalidade,  as mesmas fraquezas…
Como  hoje eu entendo que, para aprender a navegar, precisamos desafiar  as tormentas e as borrascas do mar, é chegada a  hora de aceitar um dos inevitáveis desígnios  da vida:  se  nossos filhos estão  ao pé do Farol, eles só  poderão ver a luz se entrarem mar adentro…
E  o melhor que podemos  fazer, é desejar-lhes  boa viagem.
E  torcer para que carreguem consigo um pouco de suas  raízes”.

Que Deus vos abençoe e lhes cubra de felicidade!

Márcia de Lucena Saraceni

Filha, Mãe e com filhos que também um dia serão pais.

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