Solidão, plenitude e felicidade

Ficar sozinho pode ampliar nossa capacidade amorosa

Hoje compartilharei um texto de Osho, em “A Essência do Amor: Como Amar com Consciência e Se Relacionar Sem Medo”, que nos fala sobre a oportunidade que a solidão pode nos trazer para sermos mais plenos e felizes…

Boa leitura!

Doce pesar

A solidão traz em si algo de tristeza, algo de pesar, e mesmo assim uma profunda paz e silêncio. Tudo depende de como você olha para ela.

Se você se separou do ser amado, olhe para isso como uma grande oportunidade de estar sozinho. Então a visão muda. Olhe para isso como uma oportunidade para ter o seu próprio espaço.

Está ficando cada vez mais difícil termos o nosso próprio espaço, e a menos que o tenhamos, nunca nos familiarizaremos com o nosso próprio ser, nunca chegaremos a conhecer a nós mesmos.

Estamos sempre ocupados, envolvidos em milhares de coisas — relacionamentos, compromissos do dia-a-dia, preocupações, projetos, o futuro, o passado —, vivemos continuamente na superfície.

Quando a pessoa está sozinha, ela pode começar a se aquietar, a assentar. Pelo fato de não estar ocupada ela não estará se sentindo da maneira como sempre se sentiu. Será diferente, e essa diferença pode parecer muito estranha.

E certamente, quando a pessoa está separada, ela perde os seus amores, os seus entes queridos, os seus amigos, mas isso não será para sempre. É só uma pequena disciplina.

E, se você ama profundamente e mergulha fundo em si mesmo, estará ainda mais preparado para amar profundamente, pois só a pessoa que se conhece consegue amar profundamente.

Se você vive na superfície, o seu relacionamento não pode ser profundo. Afinal de contas, é o seu relacionamento. Se você tem profundidade, então o seu relacionamento terá profundidade.

Por isso, considere essa oportunidade uma bênção e aproveite-a. Delicie-se com ela. Se você lamentar muito, toda a oportunidade estará perdida.

E ela não é contra o amor, lembre-se. Não se sinta culpado. Na verdade, ela é a própria fonte do amor. O amor não é o que acostumamos pensar. Não é isso. Não é uma mistura de sentimentalismo, emoções e sentimentos. É algo muito profundo, muito fundamental.

Trata-se de um estado de espírito, e esse estado de espírito só é possível quando você penetra no seu próprio ser, quando você começa a se amar. Essa é a meditação quando a pessoa está sozinha: ame-se a si mesmo tão profundamente que, pela primeira vez, você se torna o seu próprio objeto de amor.

Portanto, nesses dias em que estiver sozinho, seja narcisista; ame a si mesmo, delicie-se consigo mesmo! Delicie-se com o seu corpo, com a sua mente, com a sua alma. E aproveite o espaço que está vazio à sua volta e preencha-o com amor. Não existe nenhum amante ali, preencha-o com amor!

Espalhe o seu amor pelo espaço, e ele começará a ficar luminoso, reluzente. E então, pela primeira vez, você saberá, quando o seu amante se aproximar de você, que agora esse amor tem uma qualidade totalmente diferente. Na realidade, você tem algo para dar, compartilhar. Agora você pode compartilhar o seu espaço, porque você tem o seu espaço.

As pessoas comuns acham que elas estão compartilhando, mas elas não têm nada para compartilhar — nenhuma poesia no coração, nenhum amor. Na verdade, quando elas dizem que querem compartilhar, não querem dar nada, porque elas não têm nada para dar.

Elas estão em busca de alguém que lhes dê algo, e o outro está no mesmo barco. Ele está procurando tirar algo de você, e você está tentando tirar algo dele. Ambos estão, de certo modo, tentando roubar algo do outro.

Por isso o conflito entre os amantes, a tensão; a tensão contínua para dominar, para possuir, para explorar, para fazer do outro um meio para atingir o prazer; para de algum modo usar o outro para a sua própria gratificação.

É claro que escondemos tudo isso atrás de lindas palavras. Dizemos: “Queremos compartilhar”, mas como você pode compartilhar algo que não tem?

Portanto, aproveite o seu espaço, a sua solidão. Não o preencha com lembranças do passado nem com fantasias acerca do futuro.

Deixe-o como está — puro, simples, silencioso. Delicie-se com ele; brinque, cante, dance. É uma grande alegria estar sozinho!

E não se sinta culpado. Isso também é um problema, porque os casais sempre se sentem culpados. Se estão sozinhos e se sentem felizes, eles se sentem culpados. Pensam: “Como uma pessoa pode ficar feliz longe do ser amado?” — como se você estivesse enganando a outra pessoa.

Mas, se você não consegue se sentir feliz quando está sozinho, como vai conseguir se sentir quando estiverem juntos? Portanto isso não é uma questão de enganar ninguém.

À noite, quando ninguém está olhando, a roseira está preparando a rosa. Lá nas entranhas da terra, as raízes estão preparando a rosa. Ninguém está olhando. Se a roseira pensar: “Só mostrarei as minhas rosas quando houver alguém por perto”, ela não terá nada para mostrar. Não terá nada para compartilhar, porque qualquer coisa que você possa compartilhar primeiro tem que ser criada, e toda a criatividade surge das profundezas da solidão.

Portanto, deixe essa solidão ser um útero, e aproveite-a, delicie-se com ela; não sinta que está fazendo alguma coisa errada. Trata-se de uma questão de atitude e maneira de ver. Não dê a interpretação errada. A solidão não precisa ser algo para se lamentar. Ela pode ser cheia de paz e felicidade, depende de você.

Um lindo dia,

Aloha

Claudia Michepud Rizzo

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9 comentários Adicione o seu

  1. Rafael disse:

    Texto que me emocionou, não sei como, só sei que tem alguma coisa aqui no Sabedoria Universal que faz com que minhas perguntas e questionamentos sejam respondidos… É algo Divino. No post anterior eu não comentei, porque ele me afetou de uma maneira onde me vieram perguntas… E eu as fiz em meus momentos de silencio… E elas estão sendo respondidas por vocês, mais um vez… Me considero abençoado por ter encontrado este blog

    Muita luz e paz….

    1. Claudia Michepud Rizzo disse:

      Oi Rafael!!
      Que bom que, de alguma forma, estamos conectados com a sua energia!
      Ficamos muito felizes em poder ajudar com os nossos posts!
      Mais uma vez, agradecemos o seu comentário carinhoso!
      Muita luz, sempre!!!
      Aloha

  2. Alexandre Carrizo disse:

    A solidão por si só já é a interpretação de ausência de algo, na minha opinião.
    A interpretação só pode nascer de sua própria origem o interpretador.

    A rosa não nasce na solidão, ela também não nasce, pois não há o que nasce no não-tempo e não-espaço, o que não significa ausência da presença de tempo/espaço e nem presença da ausência de tempo/espaço.

    O problema das trocas das interpretações, por interpretações que talvez tragam um pouco mais de conforto, podem parecer EFICIENTES no começo, porém, só tendem a um maior número de interpretações e “confortos”, se transformam em desconforto, em um processo de “conscientização”.

    Já ouvi dizer, que o oposto a solidão é a solitude, que traz a plenitude do estar “só”, mas isso também pode ser mais um processo de apreensão de uma interpretação do que É Ser, Estar.

    Uma brincadeira que gosto muito, é de perceber que o Sorriso não precisa de uma interpretação para acontecer, ele simplesmente ACONTECE, sem precedentes, sem interpretações, sem porquês, simplesmente um Sorriso, que no momento SORRISO, nem de SORRISO pode ser chamado, pois “VOCÊ É UM PURO SORRIR”.

    Solidão, é apenas uma maneira de interpretar uma interpretação.
    Solitude é outra maneira de interpretar uma interpretação.
    Felicidade é outra maneira de interpretar uma interpretação.

    Seja sem a ação de ser.

    “Tudo é uma questão de manter, a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranqüilo, a toda hora a todo momento, de dentro para fora de fora para dentro”, um beijo a Leila Pinheiro pela inspiração do coração.

    Como sempre, apenas uma opinião.

    1. Claudia Michepud Rizzo disse:

      Olá Alexandre!
      Mais uma vez, agradecemos os seus comentários!
      Com certeza, a sua reflexão trará a oportunidade de promovermos novas e profundas reflexões!
      Grande abraço
      Aloha

  3. Alexandre Carrizo disse:

    No fundo nada pode te trazer a PAZ, o Silêncio, o Amor, o Carinho ou a Felicidade… pois “isso” nunca te foi tirado, essa é a sua Própria Essência, toda a busca te levará para longe de “você mesmo”.

    Um grande abraço

  4. ANDRE GIALLUISI disse:

    muito bom esse texto.Toca num ponto delicado,evitado principalmente no ocidente,que é a solidão.Nascemos e crescemos,instruídos e condicionados a nos realizarmos exteriormente,ou seja, no outro,na familia,escola,religião,trabalho,e finalmente na cara metade.E a vida passa e até se vai,e evitamos estarmos sós .fugimos de nós ,como o diabo foge da cruz.,até porque,surge uma incapacidade de lidar com aquele ser tão estranho, “eu”,que sempre viveu,funcionou com o “ele”.Portanto,é a medida que descobrimos o valor da solidão,que desenvolvemos a capacidade da reflexão,porque como re-fletir senão na solidão?E daí,podemos vislumbrar (ver que temos uma cara inteira),que as grandes realizações se operam internamente,e por conseguinte,perceber verdadeiramente o outro,não como um complemento mas, com a sua integralidade,em comunhão.Enfim poder estar só e viver com o mundo.

    1. Claudia Michepud Rizzo disse:

      Olá André,

      Que bela e profunda a sua reflexão… O fato de “estarmos conosco, nos apoiarmos” é, na minha opinião, a única maneira de conhecermos a nossa verdadeira luz…
      Que 2012 te traga muita saúde, sabedoria, conquistas interiores e realizações!
      Aloha

  5. juracy junior disse:

    Procurei a felicidade e muitos meios, porem não a encontro, e a falta de sorte no amor só me deixa mais sombrio… queria fugir da solidão,, mas ela me persegue. A unica coisa que eu faço, é colher minha tristeza e fazer poemas de angustia. Para mim, a felicidade é falsa ilusão criada pelo ser feliz, que nao sou e nunca fui. Mas se vc souber o verdadeiro caminho, me indique ele e eu o seguirei:

    1. Claudia Michepud Rizzo disse:

      Juracy,
      Acredito, verdadeiramente, que todas as experiências que a vida nos traz fazem parte do nosso aprendizado, da nossa evolução…
      Nem sempre o que vivemos é agradável… Muitas vezes, são experiências muito dolorosas… Mas penso que o mais importante é sabermos vivê-las com coragem, alegria e fé, por mais difíceis que elas sejam… E quando absorvemos o aprendizado, as coisas mudam…
      Muita luz sempre!
      Aloha

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