Educação: Críticas e Elogios

castigar

Todos nós já sentimos o quanto dói um castigo e o quanto é gostoso um elogio, mas qual a medida de um e de outro na educação da criança e do adolescente?

É importante refletirmos que o castigo só é válido como punição quando está relacionado à atitude inadequada da criança ou do adolescente, mas a punição pela punição não educa e pode formar três tipos de personalidade: Na primeira, a rebelde, o indivíduo suporta o castigo e chega a afrontar os pais dizendo “não doeu”, “não ligo”, “eu não queria ir para esse lugar mesmo”. A segunda é a construída pelo medo. Por medo da punição, a criança deixa de tentar tomar iniciativas. Ela se torna boazinha, mas conformista. E, por último, o chamado cálculo de risco. Na ausência da autoridade do pai, da mãe ou do professor, ela age de uma maneira; na presença, age de outra maneira.

Já o elogio é a melhor forma de motivar a criança e o adolescente a ter boas ações e a deixá-los satisfeitos por um trabalho bem feito e isto pode ser feito através de um olhar de aprovação, uma palavra, a concessão de uma autorização desejada, uma prenda, etc., mas atenção: O elogio á toa não educa, pelo contrário, pode trazer um falso reconhecimento de si e o perigo de tornar a criança egoísta, levando-a a fazer o bem apenas com a intenção de ganhar um prêmio ou recompensa. É preciso elogiar as crianças apontando o que elas realizaram de bom, o que vai lhes trazer o reconhecimento, um sentimento de orgulho e de competência e, estes são os grandes ingredientes da auto-estima.

Para finalizar esta reflexão leia abaixo o texto escrito pela pedagoga Leonore Bertolot, sobre o tema:

“Ser repreendido por uma pessoa que amamos muito, é doloroso, constrangedor. Nós nos sentimos envergonhados, achamos que somos ruins, que não merecemos conviver com as pessoas que respeitamos.

De outro lado, quando a pessoa amada nos elogia, a sensação é de felicidade profunda, sentimos um calor que nos permeia e um impulso de querer crescer e ficar sempre melhor.

Quem não conhece tais sentimentos? Dos dois podemos aprender algo para a vida.

O ser humano aprende e cresce como pessoa através das experiências que faz. Uma reação de ira como desabafo do adulto em resposta a um ato insensato do filho, não deixa de ser uma experiência esclarecedora sobre causa e efeito dos nossos atos, mas o efeito que se produz na alma da criança não é de fomentar a auto-confiança e a confiança no adulto, é de sentir-se tolhido, repelido.

Quando o ato da criança exige uma correção, esta será tanto melhor se, ao corrigir, também se criem nela os impulsos necessários para crescer e melhorar.

Quando a correção precisa seguir logo o ato incorreto, respire dez vezes para poder agir com calma. Quando nossa reação não pode, ou não precisa, ser imediata, é bom preparar a conversa que iremos ter, talvez só à noite, ou no dia seguinte, ou ainda no fim de semana.Estudar então, junto com a criança como pode ser consertado ou reposto o que foi estragado, isto ajuda a querer crescer. Com crianças menores não serve muito conversar sobre o valor ou o perigo, etc. do que fizeram. Melhor é contar-lhes uma história em que alguém repara ou vence a fraqueza que causou o problema. Então a criança se identifica com o herói da história que saiu vitorioso e ela passa a querer ser como ele.

E ainda é verdade que um tapa é melhor do que nenhuma reação do pai na hora em o ato da criança exige uma reprovação. Porém, a agressão física no melhor dos casos, é apenas uma muleta, uma substituição, por não nos ocorrer nada melhor. É nosso dever de adulto de fazer um trabalho em nós mesmos no sentido de poder aplicar correções mais construtivas.

E o elogio deve ser autêntico, deve ser merecido, senão tem o efeito contrário, só alimenta uma falsa auto-estima. Também a forma como elogiamos deve ter um efeito na alma da criança que lhe infunde o desejo de crescer e melhorar sempre.

A criança cresce ao nosso lado e se ela percebe que nós também crescemos em acertos e autodomínio e que lhe ajudamos a consertar e corrigir o que ainda não foi certo, isto a encoraja a querer melhorar. Assim se cria um clima de confiança adequada para que sua alma possa desabrochar em toda sua plenitude.”

Bons ventos lhe soprem o que precisa para ser feliz!

Márcia de Lucena Saraceni

Fonte: http://www.pueridomus.br

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