Você merece tudo de melhor!

Viva o seu melhor!

Você se sente merecedor de tudo de bom que acontece em sua vida? Em algum momento já se pegou questionando “O que foi que eu fiz para receber tamanhas dádivas?

O texto de hoje, de autoria de André Lima, nos fala exatamente disso. Ele reflete sobre o quanto as pessoas podem se boicotar e se achar “desmerecedoras” do melhor que acontece em suas vidas, cobrando-se e achando que tudo tem de vir com muito esforço e dedicação.

Com dicas valiosas, o autor acaba nos alertando e nos incentivando a aceitar tudo de belo que acontece conosco, simplesmente deixando fluir por nossas vidas toda a abundância que está à disposição. Dessa forma, deixamos florescer o nosso melhor, destruindo as crenças que acabam nos limitando na nossa busca pelo equilíbrio e harmonia.

A crença do não-merecimento
André Lima

Imagine que você adota um cãozinho vira-lata. Você o leva para a sua casa, alimenta, dá banho, trata, leva ao veterinário e o enche de carinho. Será que esse cãozinho iria pensar “eu não mereço nada disso, meus amigos na rua passando fome e eu aqui com esse luxo todo…”

Imagine tudo isso sendo falado em um tom dramático de culpa e “humildade”. Imagine o cãozinho se sabotando. Não come mais a ração e pede para o dono comprar outra mais baratinha. Diz também que não precisa de tanto assim. Pra que tanto conforto? E os colegas da rua que não têm nada disso? E o que ele fez para merecer tudo de bom? Por que outros não tem acesso às mesmas coisas?

É claro que um cachorro jamais agiria dessa forma. Ele apenas aceita e aproveita tudo que lhe é ofertado. O animal não precisa de razões para justificar ter uma vida boa. Já alguns de nós, seres humanos, temos uma  tendência de precisar encontrar motivos que justifiquem as coisas que temos ou ganhamos: só me sinto confortável  em ter muito se eu trabalhar muito; só consigo me sentir bem em ter uma vida boa se eu disser que passei muitos anos estudando e trabalhando para conquistar esse resultado; se eu não me sacrifico, não me sinto no direito às melhores coisas; só posso me permitir cobrar um preço mais alto se eu estudar tantos anos a mais.

Quando a criança nasce, ela não questiona se merece ou não o que recebe. No entanto, quando o pensamento vai se desenvolvendo e torna a estrutura do ego mais complexa, a mente começa a comparar, julgar e vão surgindo, em uma idade ainda muito tenra, os pensamentos de não merecimento e culpa. Inicialmente, a criança vai se comparar com os irmãos, observando se eles têm mais ou menos, se são felizes ou infelizes. Irá também começar a observar o sofrimento dos pais. E conforme for a situação familiar, quanto maior for o sofrimento, maior a tendência de se desenvolver sentimentos de culpa em ser feliz, culpa em ter, culpa em receber. Ao crescer um pouco mais, a criança irá também começar a ter contato com as pessoas do mundo exterior e seus sofrimentos, o que poderá alimentar ainda mais a sensação de culpa e não merecimento em ter uma vida melhor do que a média.

Avalie a si próprio. Sente dificuldade em receber presentes? Precisa presentear ou fazer algo de volta pela pessoa para ficar em paz? Consegue receber elogios de forma natural ou precisa minimizá-los ou  retribuí-los na mesma hora? Quando há uma possibilidade de ganhar algo de bom (um sorteio, uma promoção no trabalho, uma viagem…) tem uma tendência de deixar para outras pessoas ou você também quer ganhar e aproveitar? Se você conquista uma situação melhor (maior salário, vida mais confortável) precisa justificar pra você mesmo ou para os outros o tanto que você trabalhou para conquistar aquilo? Quando adquire algum bem (carro, casa, roupas) você precisa pensar e justificar para você mesmo ou para os outros que esforçou bastante para se sentir bem com o que adquiriu? Se algo vier muito fácil, você aceita e usufrui tranquilamente, ou aproveita mas com sentimento de culpa?

Existe ainda a crença do merecimento ligada a questões espiritualistas e religiosas. “Fulano não teve o merecimento para se curar de tal doença”. “Eu não tive o merecimento para sair da situação financeira difícil que vem desde a infância.” “Se for do merecimento de fulano, ele irá conseguir”.  “Se você não saiu ainda dessa situação é porque não é do seu merecimento”. Fica simples e conformista demais uma justificativa dessa forma. Desenvolve-se  um sentimento de que, se tem algo negativo, é porque essa pessoa “merece” passar por aquilo, até quando ninguém sabe. Por muitas vezes isso acaba gerando  uma perpetuação do sofrimento por culpa e autopunição. Às vezes as pessoas se tornam passivas e deixam de compreender mais profundamente as razões daquele sofrimento, perdendo também a chance transformá-lo.

Deveríamos aproveitar o exemplo dos animais que não questionam se merecem algo ou não. Eles sempre aproveitam a abundância. E quando passam por dificuldades fazem o melhor que podem para sair delas, sem se preocupar ou sentir culpa se fizeram ou deixaram de fazer algo para passar por aquilo.

Declare-se merecedor, e vá em busca do que você deseja. Seja persistente até alcançar o que deseja. Se a solução vier rápida e facilmente, aceite e aproveite. Não compre  o título que alguém tente lhe passar de “não merecedor” pois isso acaba apenas criando passividade e culpa. Acredito que todos nós, de forma consciente ou inconsciente demos causa ao nosso sofrimento, ou atraímos ou pelo menos contribuímos para ele. Ainda assim, todos merecem se libertar do sofrimento.

Uma ótima semana,

Namastê,

Pedro Michepud

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