Quero fugir…

fuga

O que é o tempo senão o intervalo desse instante?  Em nome da busca desenfreada por “sabe-se lá o que”, seguimos correndo, sem ter o bom senso de desacelerar para perceber a essência da vida que nos rodeia. Já disseram: “sou aquilo que escolhi ser hoje, não o que escolhi ser antes. Meu amanhã está sendo feito agora”.

A crônica “Desejo de Fuga”, de autoria do Professor Douglas Tufano, nos convida à esta reflexão.

De repente, bate um desejo de fuga…

Fugir dessa vida moderna, dos celulares, computadores, automóveis, televisão, shopping center e todas essas coisas que foram inventadas para nos facilitarem a vida, mas que, no fundo, nos aprisionam e nos tormentam…

Desejo de uma vida mais simples em que o pão de cada dia não fosse tão arduamente conquistado. Uma vida em que não houvesse tantas preocupações com coisas que amanhã o tempo vai transformar em pó.

Como foi que nos enredamos tanto com esse tipo de vida que agora não conseguimos mais mudar, mesmo sabendo que tudo isso não traz satisfação nem felicidade?

A obsessão pelo trabalho produtivo, pela eficiência profissional. Não perder tempo! Tempo é dinheiro!

Quando sair de férias, leve suas tralhas eletrônicas para continuar ligado ao trabalho. Verifique várias vezes por dia sua correspondência eletrônica, mantenha-se a par das cotações da bolsa, não se esqueça de ler os principais jornais.

Você precisa vestir a camisa da empresa que o contratou, suar por ela, sacrificar a vida pessoal em benefício do sucesso na carreira. Sucesso! Sucesso a todo custo!

 Se não for invejado pelos outros é porque você não é bem-sucedido, é um fracassado. Use as roupas da moda para causar boa impressão, para passar a imagem de alguém antenado com seu tempo. A imagem é o que importa. Se não souber escolher a roupa adequada, contrate um assessor. Se não estiver em forma, contrate um personal training. Não fique por fora! Faça ginástica, malhe em academias, corra que nem um desesperado pelos parques e pelas avenidas poluídas, não perca as baladas, freqüente todas as festas, não recuse nenhum convite, dê opiniões sobre qualquer assunto, assista a todos os filmes, ouça todas as músicas, entupa-se de modernidade!

A engrenagem dessa sociedade neurótica nos envolve de tal maneira que nos sentimos mal se não seguimos suas ordens. Ficamos marginalizados. As pessoas nos olham com pena, como se fôssemos os últimos exemplares de uma raça em extinção.

Ah! Mas deixem-me sonhar com um outro tipo de vida. Uma vida em que não houvesse tanta cobiça de bens, tantos desejos insaciáveis, tanta correria atrás do vento… Deixem-me pensar que poderia haver um mundo em que a carreira profissional fosse apenas um aspecto da vida, necessário para o sustento, mas de maneira alguma o objetivo principal de uma existência. Uma profissão é importante, mas a vida de um homem não se esgota no trabalho. Não é o trabalho que deve nos dar uma identidade, e sim o relacionamento que cultivamos com outros seres humanos, os laços de afeto e solidariedade que tecemos e mantemos com aqueles com quem convivemos. Como escreveu Tagore, um poeta indiano, “Deus me estima quando trabalho, mas me ama quando canto”.

Saibamos encontrar tempo para o amor e a poesia, para olhar o céu estrelado sobre nossas cabeças e para agradecer a Deus pelo dom da vida.”

O tempo é nosso maior aliado. Porque não tratá-lo como tal?

Um Salve à Vida!!!

Beth Michepud

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6 comentários Adicione o seu

  1. João disse:

    A maioria diria que vc. seria um caso de loucura, somente porque os que pensam como vc. são a minoria (infelizmente), mas se fosse ao contrário, o mundo seria um lugar melhor para se viver e os que pensam que vc. é louca seriam a minoria e assim sendo os loucos seriam eles!

    Eu pessoalmente pensava que era o unico louco. Ou que era uma minoria de um, fico feliz por já sermos dois.

    Atenciosamente

    João

  2. Beth Michepud disse:

    João,

    Como definir a loucura??? Acho que podemos, sim, desacelerar e prestar mais atenção ao que realmente faz diferença em nossas vidas!
    Agradeço muito seu comentário e seja sempre bem vindo aqui.

    Abraços,

  3. aurea disse:

    Nossa! quem é essa pessoa tão singela que deslisa nas palavras , as angustias do século XXl ?
    Beth, com esse texto, eu que estava irada com minhas coisas de parentes e casa, levei uma baita sacudidela , e logo pus-me em meu lugar . .
    Obrigada ,fique na paz .

    1. Beth disse:

      Aurea, obrigada pelo carinho de suas palavras. Saiba que nos sentimos muito honrados com suas visitas.
      Um beijo e fique na paz!

  4. Beth, seu texto traz uma sensação de liberdade imensa. Mas é um tanto utópico.
    Estou no trabalho, entrei mais cedo. Não tenho dado conta.
    Acho que, não por que tenho muito, mas por que não sou eficiente o bastante mesmo.
    Assim como no meu atual emprego, em anteriores, a história se repete.
    Sou sensível as coisas pequenas da vida, mas sou frustrado no trabalho. Queria um trabalho que pudesse me sentir realizado, completo. Estou nesta busca, mas não tenho certeza de que caminho seguir, como mudar, quando mudar.
    Enfim, mas seu texto me encheu de esperança.
    Obrigado por compartilhar sua experiencia, isso sem dúvida é um tesouro imenso.
    Abraços carinhosos.

    André Luiz

    andrecamilov@yahoo.com.br

    1. Beth disse:

      André Luiz,

      fico imensamente feliz em saber que persiste em sua busca de realização. Agradeco muito seu comentário e lhe desejo paz e sabedoria em seu caminho.
      Beijos

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