Pra que tanta pressa?

Pressa

Por que será que a maioria das pessoas corre muito e nunca têm tempo para nada? Não conseguem realizar suas tarefas diárias com tranqüilidade e terminam por se estressar e levar as pessoas ao seu redor quase à loucura?  Percebo que a minha geração é mais tranqüila do que a mais nova. Onde foi que os mais jovens aprenderam que é preciso correr freneticamente e fazer tudo?

O texto que segue é de autoria do Professor Douglas Tufano  e ilustra a dificuldade de lidar com seus alunos sobre essa questão e o seu empenho em tentar modificar esta maneira tão perniciosa de agir.
“Vocês já repararam que ninguém mais, hoje em dia, tem tempo? Mal levantamos da cama e já estamos atrasados!

O dia parece cada vez mais curto. Corremos de manhã até a noite e para tudo temos um horário apertado: falamos rapidamente ao telefone (não podemos perder tempo!), conversamos rapidamente com nossos filhos (não podemos perder tempo!), batucamos impacientes na mesinha do computador porque a conexão vai demorar trinta segundos (não podemos perder tempo!), enfiamos a comida na boca sem sentir bem o sabor dos alimentos (não podemos perder tempo!), engolimos o café e queimamos a língua porque ele demora a esfriar (não podemos perder tempo!), damos uma olhada no jornal, pulando páginas, misturando tudo (não podemos perder tempo!)… Afinal, para que queremos tempo?

Foi observando essa verdadeira obsessão com o tempo que comecei a refletir sobre a importância de se trabalhar esse assunto com os alunos. Porque eles também parecem não ter tempo para mais nada. A agenda de tarefas e compromissos dos nossos alunos é assombrosa! E parece que os pais não podem ver uma brechinha que já inventam alguma atividade, porque seus filhos “não podem perder tempo”! E assim vamos ensinando essa correria aos jovens, que começam a pensar que isso é que é normal. Se virem uma pessoa fazendo as coisas com calma, comendo devagar, lendo um livro página por página, conversando tranqüilamente… vão pensar que se trata de um extraterrestre.

E, no entanto, é preciso mostrar a eles que há uma outra forma de viver. Que certas coisas, para serem prazerosas ou proveitosas, devem ser feitas sem pressa. Conversar em família, por exemplo, é uma delas. Não se pode conversar, trocar confidências, curtir a presença uns dos outros, olhando toda hora para o relógio, com a sensação de “estar perdendo tempo”.

Dou aulas de leitura e vejo que um dos obstáculos para a boa compreensão de textos é a pressa com que muitos alunos lêem. Parece que fazem uma competição para ver quem termina mais depressa. Por isso, peço que leiam mais devagar, que prestem atenção no que estão lendo, que meditem ou reflitam sobre o tema. Percebo que muitos deles começam a se impacientar — querem acabar logo, não importa a qualidade do trabalho, o importante é chegar logo ao fim… Com esses, é preciso um longo trabalho de reeducação. Mas nós, os professores, precisamos dar o exemplo. E não só os professores. Todos aqueles que se relacionam com os alunos precisam mostrar que têm tempo, sim, para conversar e ouvir com calma. É preciso também respeitar os ritmos individuais e não submeter a maioria dos alunos ao ritmo dos mais apressados. Na vida, como na escola, nem sempre os mais apressados são os mais eficientes.

O tempo é um bem muito precioso. Gastá-lo numa agitação frenética e sem sentido não é uma forma inteligente de viver. Saibamos reservar tempo para os momentos mais importantes da nossa vida, para que, mais tarde, não venhamos a nos arrepender de não ter dito uma certa palavra, de não ter feito um certo gesto, de não ter tido uma certa conversa, porque não tivemos tempo.”

À propósito, muito obrigada por reservar seu tempo para nos brindar com sua presença!!!

Um Salve à Vida!!!

Beth Michepud

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4 comentários Adicione o seu

  1. Manuela disse:

    É..tanta correria e ás vezes perdemos o mais importante.
    Para variar, adorei seu artigo.
    Namastê.

    1. Beth disse:

      Verdade Manuela,

      pra que tanta pressa, né???
      Obrigada pelo seu carinho!!!
      E … calma…. rs
      Beijos

  2. Maria Helena disse:

    Querida Beth,
    Só hj que tive tempo de ler este tão belo texto!(Olha só a ironia!) Puxa, vida! E a data tem tudo a ver com o momento! Coincidências não existem mesmo! Vou tentar resumir a história…Há 7 anos eu estava chegando na faculdade e tinha um trabalho pra apresentar naquele dia, mas eu estava com muita pressa pq ainda tinha que estudar mais um pouco antes da apresentação. Então, naquela correria até a sala de aula, avistei uma amiga e senti uma vontade forte de correr até ela e abraçá-la, mas lembro que parei, olhei para o relógio e vi que se fosse abraçar a minha amiga, “perderia tempo” e não teria mais aqueles 2 min. pra estudar. Como me arrependo de não ter corrido até a minha amiga para tê-la abraçado naquele dia! Era a última oportunidade que tive de abraçá-la, pois foi o último dia que a vi… Depois daquele dia, ela foi atravessar uma faixa de pedestre e foi atropelada. Infelizmente não ouvi meu coração e deixei de dar o último abraço na minha amiga. Depois disso, tento ouvir mais ouvir a “voz interior”, abraçar quem eu gosto quando eu tenho vontade. Nunca saberemos quando será a última oportunidade, por isso devemos aproveitar o nosso tempo estando com quem amamos e expressando o que sentimos, pois o tempo é sim muito precioso, por isso deve ser aproveitado da melhor forma possível. Perder tempo é deixar de expressar o amor por quem amamos quando temos a oportunidade! Desejo que todos vcs aproveitem o tempo sempre da melhor forma possível! Muita Luz a todos,
    Maria Helena.

  3. Beth disse:

    Querida Maria Helena,

    o que é o tempo senão a passagem deste instante, não é? Sua história, apesar de bastante triste, nos traz a mais plena certeza de que o “perder tempo” não existe e que precisamos estar, assim como você, sempre atentos às mensagens de nossos corações.
    Muito grata por dividir conosco esta passagem de sua vida e também por nos honrar com sua companhia.
    Todas as bençãos divinas para você e uma linda semana!!!!!!
    Beijos

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