Diferenças entre ódio e amor

Quantas pessoas não encontramos que, após viver um relacionamento cheio de romance, por um determinado motivo passa a odiar aquele que, até então, foi seu companheiro? E aí, perguntas como “Você ainda gosta dele(a)?” são acompanhadas de respostas como “Jamais! Eu odeio esse(a) garoto(a)!”.

Já pararam para refletir o que é, então, o ódio? Como Martha Medeiros discorre no texto abaixo, este sentimento nem de longe é o oposto do amor, pelo contrário, está ao lado dele, separados apenas por uma linha tênue.

Vamos à leitura?

O contrário do amor

“O contrário de bonito é feio, de rico é pobre, de preto é branco, isso se aprende antes de entrar na escola. Se você fizer uma enquete entre as crianças, ouvirá também que o contrário do amor é o ódio. Elas estão erradas. Faça uma enquete entre adultos e descubra a resposta certa: o contrário do amor não é o ódio, é a indiferença.

O que seria preferível, que a pessoa que você ama passasse a lhe odiar, ou que lhe fosse totalmente indiferente? Que perdesse o sono imaginando maneiras de fazer você se dar mal ou que dormisse feito um anjo a noite inteira, esquecido por completo da sua existência? O ódio é também uma maneira de se estar com alguém. Já a indiferença não aceita declarações ou reclamações: seu nome não consta mais no cadastro.

Para odiar alguém, precisamos reconhecer que esse alguém existe e que nos provoca sensações, por piores que sejam. Para odiar alguém, precisamos de um coração, ainda que frio, e raciocínio, ainda que doente. Para odiar alguém gastamos energia, neurônios e tempo. Odiar nos dá fios brancos no cabelo, rugas pela face e angústia no peito. Para odiar, necessitamos do objeto do ódio, necessitamos dele nem que seja para dedicar-lhe nosso rancor, nossa ira, nossa pouca sabedoria para entendê-lo e pouco humor para aturá-lo. O ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual a cor do amor.

Já para sermos indiferentes a alguém, precisamos do quê? De coisa alguma. A pessoa em questão pode saltar de bung-jump, assistir aula de fraque, ganhar um Oscar ou uma prisão perpétua, estamos nem aí. Não julgamos seus atos, não observamos seus modos, não testemunhamos sua existência. Ela não nos exige olhos, boca, coração, cérebro: nosso corpo ignora sua presença, e muito menos se dá conta de sua ausência. Não temos o número do telefone das pessoas para quem não ligamos. A indiferença, se tivesse uma cor, seria cor da água, cor do ar, cor de nada.

Uma criança nunca experimentou essa sensação: ou ela é muito amada, ou criticada pelo que apronta. Uma criança está sempre em uma das pontas da gangorra, adoração ou queixas, mas nunca é ignorada. Só bem mais tarde, quando necessitar de uma atenção que não seja materna ou paterna, é que descobrirá que o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto.”

Ok. É claro então que quando amamos alguém, direcionamos muito de nossa energia para esta pessoa. A mesma situação acontece quando dizemos odiar o próximo. Portanto, o ódio não é antagônico ao amor.

Ser indiferente é não ter nada vibrando por determinado alguém dentro de você. É um vácuo. Um nada.

Agora, peço que atentem para o terceiro parágrafo do texto de Martha Medeiros: repararam o quanto nos consome esse sentimento chamado ódio? Gastamos energia planejando vinganças, frases atravessadas ou alguma outra maneira de, por orgulho, colocar essa pessoa ‘abaixo’ de nós mesmos.

Agora me respondam: para quê? O que ganhamos com isso?

O nosso ego não aceita ter sido desprezado, trocado, enganado, humilhado (etc.). Por isso, nos estimula a alimentar a outra ponta da mesma corda aonde vibra o amor – dessa forma, pode-se utilizar de uma quantidade considerável de energia que já estava vibrando anteriormente.

Nossa mente não permite que simplesmente aceitemos os fatos e deixemos o rio fluir. Ela exige dar a cartada final, falar por último, “sair bonita na história”.

Então, meu conselho é que mais uma vez não deixemos a voz estridente do nosso ego abafar as falas do nosso coração. Ele, mais do que ninguém, se cansa de arquitetar planos e revanches e a manter dentro de si um sentimento nada nobre.

Lembrem-se que tudo o que fazemos, uma hora ou outra, nos trará frutos. Busque a inesgotável sabedoria que existe dentro de você para conseguir perdoar e virar a página de determinada situação, deixando assim que a vida se encarregue de escrever um novo capítulo.

Amor, luz e consciência. Sempre.

Cíntia Michepud

 

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