Uma nova direção para a humanidade

humanidade

Para o Dalai Lama, “espiritualidade é aquilo que produz no ser humano uma mudança interior”. Requer, portanto, uma atitude transformadora. Um despertar consciente que produza em nós o ato de cuidar, de zelar, isto é, o sentido de responsabilidade.

Temos sido constantemente alertados sobre a necessidade de darmos atenção ao nosso planeta Terra, nossa casa. Estamos, cada vez mais, degradando-o, destruindo-o como se essa morada não nos pertencesse e a ela não estivéssemos ligados.

Para despertar e/ou evoluir com mais profundidade nossa mudança interior e elevar nosso senso de zelo e de cuidados junto a esse lar que acolhe e responde pela continuidade da vida terrena, transcrevo a seguir trechos do livro “Criação Imperfeita” do físico e filósofo brasileiro Marcelo Gleiser.

“Há bilhões de anos, nossos antepassados começaram a se questionar sobre a razão de sua existência. Sozinhos, contemplaram os céus, buscando nas estrelas pela sua origem.

Pelo que sabemos hoje, e provavelmente por muito tempo, somos os únicos seres se questionando sobre o mundo. A aceitação de nossa solidão cósmica é um toque de despertar, iniciando uma nova era para a humanidade. Humanos! Salvem a vida! Não há nada de mais precioso e raro. Preservem-na, façam com que dure, ajudem a espalhá-la pela vastidão do cosmo. Esta é a nossa missão suprema como mentes do cosmo.

Essa revelação é extremamente urgente. O rápido avanço do progresso, a promessa de riquezas e de uma vida melhor, nos deixou indiferentes ao dano que causamos no nosso planeta. Sim, temos que sobreviver, plantar e construir, explorar o que o nosso planeta oferece. Mas não podemos continuar a fazê-lo no ritmo atual, ignorando a devastação que infligimos na Terra e na preciosa vida que abriga.

O clima está mudando e mais de 30 mil espécies estão morrendo por ano. Estamos testemunhando a maior extinção em massa desde o desaparecimento dos dinossauros há 65 milhões de anos. A diferença é que, pela primeira vez na história, somos nós, e não a Natureza, a causa da extinção. Destruímos habitats, poluímos rios, pulverizamos montanhas, cortamos florestas, alagamos vales, introduzimos espécies em ambientes novos sem planejamento, matamos, pescamos e caçamos espécies em risco de extinção com impunidade. No nosso frenesi destrutivo esquecemos que a Terra é um sistema limitado e que não pode sobreviver a um abuso continuo. Se não aceitarmos com urgência o que está ocorrendo e começarmos a agir como uma espécie unida em prol de um objetivo comum, causaremos uma devastação sem precedentes.

Alguns poucos ligarão para estas linhas, achando tudo isso um grande exagero. Espero que não sejam muitos. Espero que, uma vez que fique claro quão rara é a Terra, quão rara é a vida complexa, quão precária e preciosa é a nossa existência num planeta flutuando em meio a um Universo hostil e indiferente, um número cada vez maior de pessoas abrace a causa pela sobrevivência. Precisamos de uma nova moralidade dirigida à preservação da vida.  Talvez, um dia, nossa missão seja espalhá-la pelo Universo afora. Mas no momento, para cada um de nós, o trabalho começa aqui mesmo, nas nossas casas, com nossas famílias e amigos, nas nossas comunidades e escolas – também nas nossas empresas.

O aspecto mais maravilhoso da nossa existência é que temos consciência dela. Como nossos ancestrais, permanecemos sós a contemplar o mistério da Criação. Como, tragicamente, a história da civilização nos ensina que nações se unem apenas para combater um inimigo comum, vamos nos unir como membros da mesma espécie e lutar pela nossa sobrevivência. Este é o conflito da nossa era. Porém ao contrário das guerras comuns, esta não tem o propósito de definir fronteiras ou credos. Esta é uma guerra entre o nosso passado e o nosso futuro, uma guerra onde somos nossos piores inimigos e nossa única esperança.

Ainda temos a oportunidade de mudar o rumo das coisas e de salvar o precioso mundo onde crescemos. Mesmo que possam existir dúvidas sobre a severidade da tempestade que se aproxima, não há dúvida que virá. As primeiras gotas já podem ser sentidas.

Não temos o direito de arruinar o futuro das nossas crianças”.

Luz e clareza,

Tenório Lucena

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