Acordos apressados x Verdadeiros propósitos

desertoÉ comum na vida, em certas circunstâncias, que nos vejamos forçados a agir de forma oposta às nossas preferências. Na realidade, vez por outra somos levados por determinados interesses, mesmo quando não estamos de acordo, apenas porque imaginamos que todas as outras pessoas concordam.

Nesse caso, surgem os acordos apressados, que contrariam nossos verdadeiros propósitos. Isso pode ser visto nas empresas, nos espaços sociais, enfim onde haja tomadas de decisões em grupos, etc.

Um exemplo típico é o da narrativa que se segue: O Paradoxo de Abilene.

“Numa tarde muito quente de verão, no Texas, a família encalorada e entediada passava o tempo junto ao ventilador, tomando limonada gelada e jogando dominó. De repente, meu sogro falou com entusiasmo: Vamos pegar o carro e ir até Abilene, e jantar lá na cafeteria? A proposta pegou-me de surpresa, pensei de imediato: Ir até Abilene? Viajar 53 milhas nessa nuvem de poeira, neste calor, sem ar-condicionado no carro, e a cafeteria nem é lá essas coisas?

Antes que pudesse organizar melhor meus pensamentos para uma resposta adequada, minha mulher falou: Parece uma boa ideia. Eu gostaria de ir. Que é que você acha, Jerry? Respondi: Parece bom para mim. Espero que sua mãe queira ir. É claro que eu quero ir, não vou a Abilene há um tempão. Por que você pensa que eu não queria ir? Respondeu minha sogra.

E assim fomos. Minhas piores previsões se confirmaram.

Cerca de quatro horas e 106 milhas depois, quando voltamos, mais ainda encalorados e cansados, ficamos sentados em silêncio diante do ventilador. Então, querendo quebrar o incômodo silêncio e tentar ser sociável, falei: Foi um bom passeio, não foi? Ninguém respondeu.

Finalmente minha sogra disse: Para falar a verdade, eu não gostei nada e preferiria ter ficado aqui. Eu só fui porque vocês três estavam tão entusiasmados… Eu não teria ido se vocês não tivessem pressionado.

Eu não podia acreditar no que estava ouvindo! Retruquei: Não me ponha no grupo de vocês. Eu estava bem como estava, eu não queria ir. Só fui para satisfazer vocês. Vocês são os culpados.

Minha mulher parecia chocada. Não me chame de culpada. Você, papai e mamãe é que queriam ir. Eu só fui para ser sociável e agradar vocês. Eu seria uma louca se quisesse sair num calor desses. Você não acha que eu não sou louca, não é? Antes que eu pudesse reagir, meu sogro exclamou uma palavra profana e esclareceu: Eu nunca quis ir a Abilene, eu só queria animar um pouco a conversa. Pensei que vocês estariam entediados e senti que deveria dizer ou fazer alguma coisa. Não queria que você e Jerry tivessem uma estada monótona, queria que aproveitassem bem a visita que é rara. Mamãe ficaria aborrecida se vocês não se divertissem. Pessoalmente, eu teria preferido jogar outra partida de dominó e comer algumas sobras da geladeira.

Após a rodada inicial de recriminações, ficamos sentados em silêncio. Estávamos ali, quatro pessoas razoavelmente sensíveis que, de nossa livre e espontânea vontade, acabavam de empreender uma viagem de 106 milhas por um deserto com temperaturas infernais, através de uma espécie de tempestade de areia, para comer uma comida intragável numa cafeteria vulgar em Abilene, Texas, quando nenhum de nós queria ir!

Tínhamos feito justamente o oposto do que queríamos fazer! A situação toda parecia ser paradoxal. Simplesmente não fazia sentido. Pelo menos naquele momento.”

Paz e Luz!

Tenório  Lucena

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