Ouvir com o coração

Mundo dos negócios

Preparar e formar jovens para serem bons administradores e líderes têm sido o desafio das empresas e instituições acadêmicas.

Propaga-se que, no século em que vivemos a dimensão humana será o mais importante fator que as empresas terão para enfrentar a intensa competição globalizada. E, nesse século, lidar com os fatores físico, mental, intelectual, emocional e espiritual de cada pessoa desafiará não apenas a capacidade técnica dos gestores, mas, principalmente, sua capacidade humana.

O texto a seguir aponta o porquê da sensibilidade humana ser a qualidade que, inegavelmente, tem se tornado condição indispensável para se ter excelentes gestores de pessoas em ambiente de tamanha complexidade humana, como é o mundo dos negócios.

“No século III um rei enviou seu filho para estudar no templo com o mestre Pan-Ku. O objetivo era preparar o príncipe para suceder ao pai no trono. Quando ele chegou ao templo, o mestre imediatamente lhe disse para ir sozinho à floresta. Ele deveria voltar um ano depois e descrever os sons da floresta. Findo o prazo, o príncipe retornou, e o mestre pediu-lhe que contasse tudo o que tinha ouvido.

– Mestre – disse o príncipe -, pude ouvir o canto dos pássaros, o roncar das folhas, o alvoroço dos beija-flores, a brisa batendo suavemente na grama, o zumbido das abelhas e o barulho do vento cortando os céus.

Quando o príncipe terminou seu relato, o mestre mandou-o de volta à floresta para ouvir tudo o mais que fosse possível que ainda não havia detalhado. O príncipe ficou intrigado, pois achava que já distinguira cada um dos sons. Durante longos dias e noites permaneceu sentado ouvindo, mas não conseguia distinguir nada de novo além dos sons já mencionados. Numa manhã, porém, sentado entre as árvores, começou a discernir sons diferentes de tudo o que ouvira antes. Quanto mais atenção prestava, mais claros os sons se tornavam. Uma sensação de encantamento tomou conta do rapaz. “Esses devem ser os sons que o mestre queria que eu ouvisse”, pensou.

O príncipe permaneceu ali durante horas ouvindo pacientemente. Queria ter certeza de que estava no caminho certo. Quando retornou ao templo, o mestre perguntou-lhe o que mais tinha conseguido ouvir.

– Mestre – respondeu ele com reverência -, quando prestei mais atenção, pude ouvir o inaudível, o som da floresta se abrindo, do sol aquecendo a terra e da grama bebendo o orvalho da manhã.

O mestre acenou com a cabeça em sinal de aprovação. 

– Ouvir o inaudível é ter a disciplina necessária para se tornar um grande administrador e um grande líder – observou o mestre.

E disse-lhe ainda:

– Somente quando um líder aprende a ouvir o coração das pessoas, seus sentimentos, os medos não confessados e as queixas silenciosas é que pode inspirar confiança em seu povo, entender onde está errando e atender às verdadeiras necessidades das pessoas.”

A morte de uma empresa, de uma família, de um país começa quando as pessoas, principalmente os líderes, ouvem apenas as palavras pronunciadas pela boca, sem mergulhar no fundo da alma dos seres humanos para ouvir seus sentimentos, seus desejos, suas opiniões verdadeiras, suas palavras mudas.

Luz e crescimento interior,

Tenório Lucena

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