O poder do Eu te amo!

Amar! Eu te amo!

Como e quando dizer Eu te amo? Será que essa simples frase, profunda por natureza, está se tornando tão banal como dizer oi, bom dia ou tchau?

O texto de hoje, de Rosana Braga, discorre sobre esse tema, nos alertando para a profundidade e a responsabilidade que essa simples frase tem. Porém, atenta também para a leveza que essas três palavras podem trazer devido ao sentimento tão belo que está por trás delas.

Vamos à leitura?

Será que eu digo Eu te amo?

Uns 20, 30 anos atrás, em geral nem os pais costumavam declarar com todas as letras o quanto amavam seus filhos. Amavam, sim. E muito! Mas não diziam. Apenas demonstravam, na maioria das vezes! Entre os casais, então, o tão esperado “eu te amo” costumava ser dito e repetido somente na fase da paixão, e olhe lá… digamos, com excessiva cautela.

Olhar nos olhos de alguém e dizer “eu te amo” costumava equivaler como selar um compromisso. A pessoa teria que, de fato, “tornar-se responsável por quem cativou”, como imortalizou Saint Exupery em seu maravilhoso livro “O Pequeno Príncipe”.

Mas como sabemos, as gerações se complementam, a cultura é dinâmica e os tempos mudam. Hoje, essa declaração chega a ser quase como um cumprimento diário, em muitos casos. Os adolescentes, então, esfuziantes que são, não se cansam de se declarar aos amigos, ficantes e namorados todo o amor que têm pra dar!

Há quem considere essa prática um abuso, sem sentido e sem consistência. “Banalizaram os sentimentos”, justificam-se os mais críticos e reservados. Em alguns casos, pode até ser… mas não apostaria nesta conclusão, assim, tão precipitadamente.

Claro que tem gente que fala sem sequer imaginar como é que se sente e, principalmente, como é que se pratica o amor de verdade. Essas pessoas, sim, certamente estão desconsiderando a profundidade e responsabilidade que o amor pede. E quando é assim, concordo: é preciso um tantinho de pudor com o amor, porque é coisa séria!

Por outro lado, embora seja coisa séria, também acredito que deva ser coisa leve, gostosa, espontânea, fluida. E sendo assim, talvez não precisemos resistir tanto às declarações – embora devamos, sim e sempre, fazê-las de modo sincero e consciente, sabendo o que estamos dizendo.

Resumindo: é possível amar muito mesmo! E que bom que seja assim! Mas vale lembrar que uma declaração, quando feita em alto e bom som, toca o outro e gera nele uma expectativa (ou várias!). O modo como você diz “eu te amo” pode ser compreendido de diversas formas, dependendo de quem ouve.

Portanto, mais do que ficar julgando a quantidade de vezes que as pessoas têm declarado seu amor, penso que o importante é sugerir uma reflexão: além das palavras, de que forma temos demonstrado amor? Temos sido pacientes e tolerantes com nossos amados? Temos ouvido o que eles dizem e nos interessado pelo que eles sentem? Temos nos disponibilizado para fazê-los felizes?

Imperfeitos que somos, certamente cometeremos erros, mesmo amando. Mas se nos tornarmos e nos mantivermos atentos agora, hoje, durante o maior tempo que conseguirmos, talvez consigamos compreender que dizer “eu te amo” é como colocar um lindo laço sobre um presente. Muito bom! Mas o presente sempre é o que somos. E somos, fundamentalmente, o que fazemos, muito mais do que o que falamos! Tal qual, sabiamente, escreveu Ralph Waldo Emerson: “O que você faz fala tão alto que não consigo escutar o que você diz”.

Um lindo final de semana,

Namastê,

Pedro Michepud

2 comentários Adicione o seu

  1. Morais disse:

    Maravilha. Eu amei… Paz e Luz! Pedro Michepud.

    1. Olá Morais!
      Que bom que gostou do texto! A profundidade singela dele é surpreendente, não é mesmo?
      Namastê!

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