1001 motivos para continuar vivendo antes de morrer…

Li o artigo que segue há algum tempo e me identifiquei muito com o autor Eberth Vêncio pois, assim como ele, me considero “rata de livraria”. Hoje me chegou por email este mesmo texto, e como não creio em coincidências, achei que deveria dividi-lo com vocês só para relembrar quantos motivos temos para fazer de nossa vida, nosso dia, o melhor e mais feliz de todos. O autor é um tanto assertivo e usa alguns termos que algumas pessoas podem considerar ofensivos, então eu exclui alguns itens da lista.

Espero que apreciem.
“Freqüentar livrarias produz em mim o mesmo efeito que as lojas de doces e brinquedos produzem nas crianças. Ou seja, prazer e bem estar. Um derrame de endorfinas nos cursos de veias e artérias. Da mesma forma que nem toda guloseima agrada ao paladar, há livros ilegíveis. Aos desavisados, o risco de se cair nas armadilhas de capas bonitas e luxuosas, ou títulos impressionantes, é real e constante.

Estão na moda as publicações que remetem aos “100 Mais”, aos “1000 Mais”, aos “1001 Mais”… É a necessidade humana de comparar e medir talentos. Por exemplo: “1000 Lugares Para Você Conhecer Antes de Morrer”; “1001 Livros Para Você Ler Antes de Morrer”; “1001 Filmes Para Você Assistir Antes de Morrer”; e por aí vai…

Embarcando na descartável nau das milhagens, tive vontade de escrever algo a respeito das “1001 Mentiras Pra Se Contar Antes de Morrer” ou das “1001 Crenças Nas Quais Se Agarrar Antes de Morrer”. Mas acabei ficando mesmo com “1001 Motivos Para Continuar Vivendo Antes De Morrer”.

Se algum leitor se der ao trabalho de contar os motivos citados, vai constatar que não somam um milheiro. Aliás, passam bem longe disto. Não sei ao certo porque não contei. Tão somente saí escrevendo e pronto; atento ao limite de caracteres imposto pelo editor desta revista. Técnica de “brain storm” (tempestade cerebral ou tempestade de idéias). Adianto-lhes que não redigirei uma “ crônica Parte II” e dedico esta minha lista aos que se angustiam ao buscar compreender as razões (se é que elas existem) pelas quais vivemos. Ei-la, pois:

Freqüentar livrarias, sebos e lojas de brinquedos. Ler à exaustão. Brincar. Comer docinhos. Gozar do pleno exercício dos cinco sentidos: visão, audição, olfato, paladar e tato. Ser bem quisto pelo sexto sentido das mulheres (além dos outros cinco). Reunir ideias e as materializar no papel ou no computador, escrevendo. Ter os seus textos lidos, principalmente, por desconhecidos, e neles incutir reações fisiológicas as mais diversas.

Abandonar a cidade. Isolar-se. Ser um ermitão. Acordar com um raio de luz do sol no rosto, que se espreita pela fresta da janela. Abrir a taramela desta janela e enxergar um rio. Rir sozinho. Nadar num dia calorento. Deitar-se na rede. Assistir à chuva. Pescar apenas um peixe para o jantar. Perder-se na contagem de estrelas. Ficar assim meio perdido sem saber o que fazer da vida. Andar descalço. Carpir a terra e dela fazer parte, antes da própria morte. Sujar-se com o barro. Catar fruta no pé. Lambuzar as mãos com manga. Pedalar sem rumo.

Mentir só as mentiras inofensivas. Não provocar dor nem com as mãos nem com as palavras. Dominar um auditório lotado. Fazer-se ouvido. Mudar a vida de alguém com o que se fala. Recriar. Reinventar. Convencer. Fazer boa história.

Abraçar quem se gosta. Repelir os chatos. Fingir-se de morto, se preciso for. Ficar sozinho sem enlouquecer. Fazer loucuras inócuas.

Comer. Comer alguém sob expresso consentimento e desejo. Fazer sexo quando tiver vontade. Não fazer sexo, se preferir.  Mesmo feio, sentir-se o mais belo exemplar na face da Terra. Amar, posto que o amor é chama. Ler a poesia de Vinícius, Drummond e Mário Quintana. Decorar um poema. Invejar versos e rimas. Emocionar-se profundamente ao ler um belo texto.

Sentir saudades de um lugar ou pessoa. Matar saudade sem misericórdia. Ouvir música e estremecer. Solar instrumentos imaginários. Ouvir uma canção e viajar no tempo. Crer que Deus possa mesmo ser uma combinação de notas musicais. Cantar em banheiros e outros cômodos da casa.

Ter como patrimônio invejável tão somente um lar. Possuir algum dinheiro. Pagar a quem se deve. Quitar uma última prestação do financiamento. Fazer do dinheiro apenas um instrumento. Ser solidário com os desesperados e lhes dar guarida.    

Visitar gente velha. Abandonar os relógios à própria sorte. Atrasar-se. Ser escravo de si mesmo. Seguir apenas as regras mais básicas da sociedade organizada. Questionar a intransigência do síndico, do prefeito ou do presidente da república. Votar num cidadão decente. Ser delicado em reuniões de condomínio.

Sair andando de um hospital. Tomar analgésicos. Tomar um chope. Tomar banhos de chuva. Tomar a noite como parceira. 

Ler filosofia. Buscar a verdade. Questionar os dogmas. Fazer um padre chorar com tantas dúvidas. Ter uma crença que lhe acalme os nervos. Descrer dos céus e infernos. Viver a vida como se fosse a sua única chance. Vencer o tédio. Acordar com vontade de vestir uma roupa limpa e enxergar a luz da rua. Sentir paz.”

Você não acha que temos muito o que fazer? De verdade? Então, mãos à obra e vamos tirar do papel e do sentimento de desejo de fazer. Todo momento é momento de agir!!

Um Salve à Vida!!!

Beth Michepud

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