Emoções

O texto de hoje, de Elisabeth Cavalcante, fala sobre emoções e sobre como elas constituem uma reação espontânea da vida, servindo como um “medidor de maturidade”. É uma ótima reflexão, que nos auxilia a enxergar novos pontos de vista sobre o que nós sentimos.

Vamos à leitura?

Emoções

As emoções constituem a nossa reação instintiva e espontânea aos acontecimentos da vida. Quando ainda vivemos na dimensão do ego, a maioria delas se manifesta através de reações negativas como a raiva, o medo, o orgulho, a tristeza.

Isto porque buscamos o tempo todo obter do mundo aprovação para todas as nossas atitudes e escolhas. Mas, como isto é impossível, visto que sempre, em algum momento, acontecerão frustrações pela não realização de nossos desejos, as emoções negativas vão se acumulando, até se transformarem em angústia e infelicidade permanentes.

Desfazer este nó não é uma tarefa fácil, mas o primeiro passo é ter a coragem de confrontar todas as emoções negativas que existem em nós, sem querer negá-las, pois tudo aquilo que reprimimos acaba atuando de maneira mais intensa, mesmo que inconscientemente.

A busca da paz e da harmonia interior, muitas vezes, exige de nós vivenciar momentos dolorosos, em que as feridas emocionais precisam se revividas para que possam ser definitivamente curadas.

Se tivermos determinação para trilhar esta jornada, avançaremos cada vez mais na conquista de nossa auto-estima e de uma relação mais amorosa e compassiva com nosso próprio ser, que é no que consiste, afinal, a verdadeira felicidade.

“O único problema com tristeza, desespero, raiva, desesperança, ansiedade, angústia, miséria, é que você quer se livrar delas. Essa é a única barreira.

Você terá que conviver com elas. Você não pode escapar. Elas são a própria situação na qual a vida tem que se integrar e crescer. Elas são os desafios da vida. Aceite-as. Elas são bênçãos disfarçadas. Se você quer fugir delas, se você de alguma maneira quer se livrar delas, então surge um problema – porque se você quer se livrar de algo você nunca olha diretamente para isso e assim a coisa começa a se esconder de você porque você começa a condenar.

Assim a coisa continua afundando no inconsciente, se escondendo no mais escuro canto de seu ser onde você não pode encontrá-la. Ela vai para os fundamentos de seu ser e se oculta lá. E, é claro, quanto mais fundo for mais problemas irá criar – porque então começa a funcionar de cantos desconhecidos de seu ser e você fica completamente desamparado.

Então a primeira coisa é: nunca reprima. A primeira coisa é o que quer que seja o caso é o caso. Aceite-o e deixe-o vir; deixe-o vir em frente a você. De fato, apenas dizer “Não reprima”, não é suficiente. Se você me permite, gostaria de dizer, “Seja amigo disso”.

Você está se sentindo triste? Seja amigo disso. Tenha compaixão disso. A tristeza também possui um ser. Permita-o, sente-se com ele, segure as mãos dele. Seja amigável. Apaixone-se por ele. A tristeza é bela! Não há nada de errado nela.

Quem lhe disse que algo está errado em ser triste? Na verdade, só a tristeza lhe dá profundidade. A risada é superficial, a felicidade tem a profundidade da pele. A tristeza penetra até os ossos, até a medula. Nada penetra mais fundo do que a tristeza.

Assim, não se preocupe. Permaneça com isso e a tristeza lhe levará para o seu âmago mais profundo. Você pode passear nisso e você será capaz de conhecer umas poucas coisas novas sobre seu ser que você nunca tinha conhecido antes.

Essas coisas só podem ser reveladas num estado de tristeza, elas nunca podem ser reveladas num estado de felicidade. A escuridão também é boa e a escuridão também é divina.

Uma pessoa que pode ser pacientemente triste, subitamente, descobrirá numa manhã que uma felicidade está surgindo em seu coração de alguma fonte desconhecida. Essa fonte desconhecida é a existência. Você ganhou isso se você esteve verdadeiramente triste, se você esteve verdadeiramente sem esperança, desesperado, infeliz, miserável, se você viveu no inferno, você ganhou o paraíso. Você pagou o preço.

Confronte a vida. Encontre a vida. Momentos difíceis acontecerão, mas um dia você verá que esses momentos difíceis lhe deram força porque você os enfrentou. Eles foram feitos para ser assim. Esses momentos difíceis são duros quando você está passando por eles, mas depois você verá que eles lhe tornaram mais integrado. Sem eles você nunca teria ficado centrado, fundamentado.

Deixe que a expressão seja uma das regras mais importantes da sua vida. Mesmo que você tenha que sofrer por isso, sofra. Você nunca será um perdedor. Esse sofrimento lhe tornará cada vez mais capaz de desfrutar da vida, de regozijar-se na vida”.

Osho, Extraído de: The Art of Dying

Um ótimo final de semana,

Namastê,

Pedro Michepud

Fonte:STUM

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2 comentários Adicione o seu

  1. Sula disse:

    Fantástico texto! Eu nunca havia visto a “tristeza” sob este aspecto,me faz repensar nos meus momentos de tristeza que eu sempre tento baní-los, talvez porque eu não queira me confrontar com aquilo que está me machucando. Adorei!!!
    Muito obrigada.

    1. Que ótimo que o texto proporcionou a você uma reflexão grande, Sula! Agora é caminhar cada vez mais forte na direção de nossa essência, buscando construir o nosso melhor dia a dia.
      Uma ótima semana a ti!
      Namastê!

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