O Sentimento mais libertador

Em sua opinião, qual é o sentimento mais libertador? Aquele que, efetivamente, faz bem à alma? No texto de Wanda Alves, podemos encontrar uma resposta da qual compartilho.
Antes de iniciar a leitura, gostaria de citar uma frase de um poeta francês, Paul Géraldy, que diz:
“Precisamos parecer um pouco com os outros para compreendê-los, mas precisamos ser um pouco diferentes para amá-los.”
Espero que gostem!

O perdão é uma ferramenta indispensável para nossa libertação .
Se me perguntarem qual o sentimento mais libertador, eu direi, sem pensar muito,  que é o ato de perdoar.
O perdão, através do verdadeiro acolhimento e da real compreensão da situação que nos magoou,  consegue nos encaminhar para a alforria de qualquer dor, cisão, e nos abre o caminho para a verdadeira inteireza.
Quando me refiro ao ato de perdoar, não é sobre o perdão eclesiástico, por medo de arder no fogo do inferno. Muito menos referente à submissão de outrem à nossa própria altivez, nos delegando algum poder  ou superioridade, como se tivéssemos o poder divino de decisão.
Não estou falando também de empurrar emoções para debaixo do tapete, motivado(a) pela ilusão de que sentimentos reprimidos não representam ameaças. Falo sobre a compreensão genuína das nossas mágoas, ressentimentos, medos e melindres, para que possamos acolhê-los, compreendê-los e perdoar a nós mesmos e aos outros.
Viver, conviver, compartilhar significam ganhos e perdas nas relações.
As pessoas são diferentes, têm suas dificuldades, suas inseguranças, suas carências, e quando isso é colocado em xeque ou  em confronto com o outro,  o cálice transborda.
Na maioria das vezes  sobram ressentimentos, amarguras e uma terrível sensação de decepção e desamparo. Quem nunca se sentiu assim?  Pois é, mas a vida continua e precisamos estar inteiros e disponíveis para sermos quem em verdade somos.
Não podemos carregar uma bagagem pesada  e estarmos,  ao mesmo tempo, livres e íntegros.
Quando um copo está cheio, uma gota o faz transbordar.  As pessoas são humanas, como nós; erram, acertam; não se pode esquecer que  ninguém é igual sempre.  O que eu fui ontem, certamente não é mais  o que sou hoje.  Os sentimentos mudam,  os valores também.
Ficarmos atrelados ao passado,  seja nosso ou do outro, é estúpido, improdutivo e, o pior, involutivo.
Ser tomado pela fúria e por mágoas  demanda muita adrenalina, desgaste físico, emocional, mental e energético.  Perdemos muito, em todos os sentidos,   com essas emoções.
Precisamos exonerar pensamentos obsessivos que insistem em nos perseguir  e se instalar em nosso emocional.
Se estamos lotados de raiva,  rancor e anseios de retaliação, contaminamos nosso ambiente,  as pessoas, nossos projetos, nossos desejos, e perdemos essa energia fecunda que nos faz prósperos, bem-sucedidos,  amados, criativos, generosos e consequentemente inteiros e mais felizes.
“Uma certa vez um velho índio disse: dentro de mim, existem dois cachorros:  um deles é cruel e perverso, o outro, generoso e magnânimo. Os dois estão sempre brigando!
Quando perguntaram qual dos dois cães ganharia a briga,  o sábio índio parou, refletiu e respondeu: Aquele  que eu alimento!” 

Um Salve à vida!!!

Beth Michepud

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