Transformação interior

Não somos perfeitos, mas também não estamos condenados à imperfeição. Um longo caminho se expande à nossa frente, dotado de circunstâncias, que se formos capazes de compreendê-las, nos conduzirão para transformações renovadoras.

Cabe-nos entender que cada obstáculo com o qual nos deparamos é uma oportunidade para lapidarmos nossa essência humana. Para além de cada mudança, um novo ser é chamado à vida. Daí surge outro humano. Menos imperfeito, mais espiritualizado.

Tomar consciência da importância das transformações é acreditar que podemos ser mais e melhor do que somos. A terra bem tratada possibilita bons frutos.

A passagem para o ressurgimento de outro ser requer que transcendamos esse que hoje nos limita em essência: nós mesmos. Convém lembrarmos do casulo e da borboleta: sem transformação interior o casulo, com seu corpo grosseiro, não ressuscitaria em novo formato abrigando um ser mais purificado.

Assim acontece com nós humanos. À medida que adotamos maneiras novas e melhores de pensar e de viver, refinamos nossos valores e fazemos ressurgir um novo modelo de pessoa, mais branda, mais ética, mais consciente, mais receptiva, mais solidária…

O texto de Rubem Alves possibilita-nos tomar consciência da importância da transformação interior.

Vamos à leitura?

“A transformação do milho duro em pipoca é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens para que eles venham a ser o que devem ser.

O milho da pipoca não é o que deve ser. Ele deve ser aquilo que acontece depois do estouro.

O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer.

Pelo poder do fogo podemos, repetidamente, nos transformar em outra coisa. Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca para sempre.

Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosas. Só que elas não percebem. Acham que o jeito seu é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente vem o fogo.

O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos. Pode ser de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder o emprego, ficar pobre. Pode ser o fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão – sofrimentos cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio. Apagar o fogo. Sem fogo o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro ficando cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro da sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada. A pipoca não imagina aquilo de que é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: “Pum”! – e ela aparece com uma outra coisa completamente diferente que ela mesmo nunca havia sonhado.

Piruá é o milho de pipoca que se recusa estourar. São aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente se recusa a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. As suas presunções e medos são a dura casca de milho que não estoura. O destino delas é triste. Ficarão duras a vida inteira. Não vão dar alegria para ninguém. Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás que não servem para nada. Seu destino é o lixo.”

Luz e Paz para uma mudança melhor.

Tenório  Lucena

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4 comentários Adicione o seu

  1. Maria Manuela disse:

    Adorei o artigo!

  2. Tenorio Lucena disse:

    Maria Manuela,

    Obrigado por seu parecer. Torcemos para que o texto traga benefícios para seu viver.

    Tenòrio Lucena

  3. Ana Cristina disse:

    Este texto é ótimo, vale uma boa reflexão. Gostaria de sugerir que corrigissem pois não é “sofrimentos cujas calças ignoramos” e sim “sofrimentos cujas CAUSAS ignoramos”. Muda completamente o sentido.

    1. Claudia Michepud Rizzo disse:

      Ana Cristina,
      Agradecemos muito o seu apontamento. Correção feita!
      Aloha

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