Verdade. Você está preparado para lidar com ela?

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E em um mundo onde as relações estão cada vez mais superficiais, a bandeira da verdade vem sendo levantada com cada vez mais frequência. A busca por convivências sinceras e espontâneas se tornou algo importante nessa realidade de trocas virtuais e centenas de amigos ‘online’.

Porém, por mais que estejamos nessa busca, afirmo que a maioria de nós não está preparada para lidar com isso. Certamente você já deve ter ficado incomodado com algum amigo quando ele foi verdadeiro com relação à alguma atitude sua, de um filho seu ou até de uma roupa qualquer que você usava; talvez, você já deva ter se magoado com alguém que, ao invés de inventar uma desculpa qualquer, disse-lhe com honestidade que não iria a determinado evento por preferir ficar em casa, à toa.
O que acontece é que a mentira, ou a desculpa ‘esfarrapada’, ilude o coração e conforta o ego: no fundo, sentimos que a verdade não está sendo posta às claras, mas ‘é melhor assim! Mais fácil lidar com isso!”.

A verdade incomoda proporcionalmente ao nível de maturidade e de autossuficiência de cada um. O que quero dizer com isso? Quero dizer que, quanto menos a pessoa se conhecer e quanto mais ela necessitar da aprovação externa para ser feliz, mais ela irá fazer para ser ‘aceita’ no mundo; mais falsas verdades serão postas embaixo do tapete; mais teatro em uma vida de imediatismos e superficialidades.

Interessante seria se existisse um mundo onde as relações familiares, de amor ou amizade pudessem ser pautadas na honestidade. É preciso confiança e muito autoconhecimento para bancar o que se quer, para dizer ‘não’… Como naquele dia em que você não está disposto a ir ao tal jantar de família ou no encontro dos colegas da faculdade… Para afirmar, da maneira mais sutil que seu coração encontrar, que você não concorda com o posicionamento de uma pessoa, é contra a ideia de alguém e que não deseja ‘sair essa noite’.

E, quando isso acontece, não significa que não amamos nossos familiares, que seu amor está por um fio, que não valorizamos o grupo da faculdade ou que o seu amigo que está organizando a tal festa não significa nada para você. Significa, apenas, que a outra pessoa (ou você mesmo) busca um espaço e tem, naquele momento, outra prioridade.

Ao agirmos dessa maneira, como resultado, não temos como fugir de uma dessas duas opções: ou fortalece-se uma relação onde haverá espaço para que a verdade flua em uma via de mão dupla, ou a reação da outra parte te mostrará que a relação em questão não era tão sólida como se imaginava.

É preciso coragem, antes de tudo, para expor suas vontades e opiniões e, depois, para lidar e descobrir a reação do outro. Não defendo a ideia de que temos que falar tudo aos quatro ventos, da primeira maneira que vier à mente. Sim, é importante saber ceder, saber agradar quem se quer bem, contudo, isso não pode ser feito de uma maneira que anule quem realmente você é.

É importante compreender que, todas as vezes em que não enxergamos espaço para sermos inteiros, para expormos nossos sentimentos e opiniões estamos, então, à frente de uma relação superficial, frágil e intrigantemente teatral. Uma relação onde um supre a carência do outro (seja ela qual for), porém ninguém é de fato integralmente o que é.

Sou a favor de relacionamentos onde cada um possa ter suas vontades, desejos e sonhos. Onde a verdade caminhe livre; onde as situações são realizadas por inteiro e onde se tenha a certeza de que tudo o que for dito e feito dentro dessa relação (seja familiar, de amor ou amizade), é feito com integridade, plenitude e verdade.

Vale ousarmos viver dessa maneira e treinarmos a nós mesmos para receber a verdade com gratidão. Só assim passaremos a figurar em um mundo com menos máscaras, menos sorrisos forçados e declarações frívolas e infundadas.

Experimente. Como uma corrente, dê você o primeiro passo.

Amor, luz e consciência. Sempre.

Cíntia Michepud

4 comentários Adicione o seu

  1. Isaias disse:

    Concordo plenamente! A questão de você ser sincero e transparente é que vai lhe dizer se seu relacionamento com as pessoas tem fundamentos sólidos ou não. Eu sempre fui absolutamente sincero com todos os meus relacionamentos. Resultado? Os que tinham fundamentos sólidos perduraram até hoje e os que não tinham foram à ruína total. Vou dar um exemplo meu. De vez em quando eu fico me perdendo nos meus pensamentos ou estou com vontade de ficar só em casa. Às vezes falo com minha namorada que não vou a sua casa porque não estou a fim de ir e ela faz a mesma coisa também. Para muitos isso pode parecer um absurdo, mas eu acho é graça dos que pensam assim. Nós nos amamos com um amor infinito e sabemos muito bem disso, não precisamos de ciúmes, chantagens, jogos de manipulação, nem nada parecido. Apenas a sinceridade e a transparência.
    Quero aproveitar para deixar uma excelente sugestão de leitura. Um livro que mudou a minha vida para sempre: “Arrancar máscaras! Abandonar papéis!”, de John Powell. Esse livro fala sobre a transparência e ensina como ter uma comunicação muito mais eficaz com as pessoas.

    1. Cíntia Michepud disse:

      Isaias,
      Acho que é bem essa a ideia do texto de hoje! Quando pautamos relacionamentos, como o seu, na verdade, ele acaba por se tornar cada vez mais consistente e transparente.
      Muito grata por compartilhar sua história, pelo comentário e pela indicação do livro.
      Boa semana,
      Cíntia

  2. Caio Gorzoni disse:

    Como eu disse, ia ler hoje mesmo ainda.
    Exercício dificil mas que é preciso ser realizado. A gente se decepciona com facilidade por questões que você disse, como nao querer ir em uma festa, nao querer aparecer em uma reuniao, é dificil nao ficarmos chateados quando gostamos e temos um carinho especial por alguem, mas se todos aceitassem a verdade numa boa, o mundo seria bem melhor e estariamos pelo menos fazendo a nossa parte para contribuir cada vez menos com as mentiras.

    Bora tentar praticar,
    Beijos e parabéns mais uma vez pelo texto,
    Caio Gorzoni

    1. Cíntia Michepud disse:

      Caio,
      É difícil mas acho que vale a pena.
      Obrigada pela presença e ‘bora tentar praticar. Esse é o momento.
      Beijos,
      Cíntia

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