Um modelo de vida insustentável

Duas reflexões para viver dias felizes

Albert Einstein disse que são pelas vivências das nossas sensações que compreendemos o mundo. Ou seja, nossos sentimentos revelam os significados que damos às experiências observadas e vividas, traduzindo-as como boas ou más.

E como um reflexo das profundas transformações que a humanidade está passando, alguns sentimentos não-qualificados como pessimismo, incerteza, instabilidade e insegurança vêm ganhando força. Para muitos, o futuro não é nada animador, com a descrenças em dias melhores substituindo as referências que conduzem para a existência de uma boa vida.

Para o filósofo Luc Ferry, o que vem motivando o surgimento desses sentimentos é a desconstrução dos valores tradicionais como a fé; o respeito à vida e à família; a moralidade social e pública e a espiritualidade.

O que e a quem beneficia essa destruição é discutível. Para nós, importa apenas compreender que a realidade amparada na ausência desses valores tem nos levado ao empobrecimento da vida interior, ou seja, ao enfraquecimento das qualidades do espírito humano. E, como consequência disso, vamos deteriorando as relações entre pessoas e com o meio ambiente, banalizando a vida em sua plenitude. E assim, em lugares onde mais deveria coexistir a paz, sobra violência e falta dignidade.

Essa é uma questão que merece redobrada atenção por parte de toda a sociedade. Não há como encontrar acolhimento social satisfatório nesse caminho. Ninguém de sã consciência admite existir em sua vida felicidade e liberdade plena, ainda que goze de relativo bem estar. Portanto, um caminho novo deve ser experimentado para corrigir as distorções que alimentam esse modelo de vida insustentável que encontramos.

Muitos sábios já legaram ideias que, se praticadas, poderiam promover hábitos de vida que contribuiriam para o desenvolvimento de um mundo melhor. Por exemplo, “uma vida sem abusos para evitar as doenças do corpo e da mente” foi o que sugeriu Sêneca para eliminar o que traz infelicidade.

Esse talvez seja o centro da questão: impera-se na sociedade uma ganância de proporções destruidoras que, em nome do egoísmo, cria distorções sociais que trazem mais custos que riquezas para toda a humanidade.

Assim, ainda com base em Sêneca, é possível afirmar que uma condição que ajuda a promover a desordem social e põe na berlinda a Vida e o viver é “desejar as coisas sem o mínimo apreço pelas virtudes, sem cultivar o espírito, agindo de forma injusta através de atos não dignos de aprovação”.

Talvez não seja inconcebível pensar que as ideias atuais de desenvolvimento, defendidas por muitos a qualquer preço, não possam ser praticadas por atos nobres.

Por que não tentar esse caminho?

Graças à vida por nos dar tanto.

Tenório Lucena

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