Uma viagem. Quatro países. Centenas de histórias para contar.

cintia fotos montagem

Peço licença aos fiéis leitores desse blog para que eu faça desse post algo similar a um diário de bordo. Não quero apenas falar de uma viagem mas, também, do baú infinito de aprendizados que uma volta pelo mundo pode trazer.

Há não mais de dez dias eu voltei de um passeio à terras europeias. Continente frequentemente comentado, que muitos já visitaram mas que guarda centenas de leis, segredos e traços culturais únicos que, só vivendo para entender.

Porque, é quando viajamos que deixamos de lado algumas certezas tão enfincadas dentro de nós: nos deparamos com situações onde temos somente aquilo que, no conforto de nosso lar, nos recusaríamos a viver. Então, vivi. E percebi que há muito a ser descoberto além das minhas convicções limitadas de certo e errado, aceitável ou não.

Foi viajando que conheci outras pessoas e vi os olhos dela brilharem de satisfação pelo fato da aparição reinante de um sol tímido por dois dias consecutivos. Foi me propondo a entender culturas diferentes que entendi o orgulho de um jovem em participar da rígida (e quão rígida) guarda real britânica. Foi abrindo mão dos preconceitos que vi o amor dos ‘cinquentões’ holandeses escancarado, como um casal vinte brasileiro que namora em parque público. Foi saindo dos lugares turísticos que compreendi como vive cada cidadão e as diferenças de cada lugar, cabendo à mim, me adaptar. Enfim, foi trilhando o mundo com a certeza de quem eu sou e com o respeito e a mente aberta à postos, que aproveitei cada segundo e de cada vivência, pude tirar um aprendizado.

Foram quatro países e várias cidades diferentes. Quando, enfim, me acostumava com a realidade de um local, me via fechando as malas e embarcando para o desconhecido. Confesso que, por breves segundos, pensava em ficar onde estava: seja por ter amigos próximos ou por um carinho familiar por perto, passava pela minha mente essa possibilidade. Com certa rapidez, essa vontade se dissipava. Ainda bem. Hoje, trazendo essa lição para a vida, entendo que às vezes nos encontramos em situações cômodas que não nos exigem muita energia, contudo, também não nos estimulam a crescer. Passei a defender que, seja em um relacionamento, um emprego, o lugar aonde mora ou qualquer outra situação, vale mudar, vale arriscar, vale viver. Por mais linda que seja a paisagem, se vista por centenas de dias da mesma perspectiva, ela há de se tornar monótona. Se uma relação não está legal, mude; se está interessante, inove. Se o emprego não te faz sorrir, repense; se está infeliz, trace os passos necessários para jogar tudo pro alto. Enfim, se seguisse minha vontade acomodada, não teria visto, vivido, sentido e experimentado tanta coisa, tanta história, tantas diferenças. E assim é a vida.

Foi nessa viagem que eu entendi que, às vezes, é necessário deixar sua vida em ‘modo espera’ para que reflexões espontâneas possa acontecer. Foi me afastando de tudo (histórias arrastadas, problemas, obrigações, preocupações) que pude avaliar o que é, de fato, essencial para mim. Ou o que eu quero para o meu futuro. Ou, até mesmo, o que me faz feliz. É como se tivesse parado de ler um livro e fosse me entreter com uma edição especial de poucas, porém intensas páginas. Quando voltei a ler o livro oficial, as páginas tinham mais cor, as letras mais vida e a vontade de ler capítulos mais bonitos se potencializou.

Constatei que o mundo é lindo, cheio de belíssimas paisagens e que, falo por mim, um dos maiores prazeres da vida é viajar. Se você não tem, no momento, oportunidade de fazer grandes e longas viagens, sugiro que ao menos saia de sua cidade sempre que possível. Vá para lugares desconhecidos e se proponha a entender a alma daquele local. Sinta a energia de cada região e busque entender o porquê de um lugar ser tão radiante e outro algo similar a uma panela de pressão pronta a explodir, como eu vivenciei.

Quando me propus a embarcar nessa aventura, mal sabia que deixaria para trás quem eu era. Voltei mais compreensiva, disposta a ouvir com plenitude as pessoas que falam comigo assim como fui ouvida por conhecidos ou estranhos em terras estrangeiras. Voltei com a solidariedade ampliada e a empatia aguçada, fruto das tantas vezes em que obtive ajudas fundamentais de pessoas de diversas nacionalidades, nos mais variados idiomas. Voltei, enfim, com as malas não somente cheias de roupas, perfumes e presentes, mas equipadas com gratidão, amor à vida, respeito às diferenças e felicidade.

Por mais piegas que isso possa parecer, essa é a realidade: viajar te faz, sim, uma pessoa melhor com a única condição de você estar disposto a isso.

Amor, luz e consciência. Sempre.

Cíntia Michepud

4 comentários Adicione o seu

  1. Realmente deve ser uma otima saida para refletirmos o nosso eu!

    1. Cíntia Michepud disse:

      Sem dúvidas, Vilson! Muitos aprendizados nos esperam sempre que nos permitirmos explorar um pedacinho do mundo, seja onde for!
      Grata pela visita!

  2. Stefanie Meyer disse:

    Cín!!!!!! Que lindo, fiquei arrepiada e emocionada com o que eu acabei de ler!!!!!

    1. Cíntia Michepud disse:

      Sté!!
      Que bom!!! Significa que o meu sentimento e minha energia conseguiram ser trasnmitidos pelas minhas palavras!
      Beijos, Cín

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