Necessidades reais

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Trago, hoje, um texto de Elisabeth Cavalcanti sobre o que são realmente necessidades em nossas vidas. Nessa reflexão, a autora traz um ponto de vista sobre o que precisamos de fato para sermos felizes e o que é uma crença que vem do mundo exterior.

Vamos à leitura?

Necessidades reais

Fonte: STUM

Saber distinguir o que de fato precisamos para ser felizes, das crenças que nos são impostas pelo mundo exterior, torna-se uma necessidade cada vez mais premente. 

Enquanto não estivermos plenamente conscientes disso, seguiremos sendo arrastados pelas falsas carências que nos são impostas diariamente pela sociedade de consumo.

Não por acaso, a compulsão pelas compras é um dos distúrbios psicológicos que encontramos hoje, tanto quanto o vício nas drogas. E isso acontece porque a inconsciência leva um grande número de pessoas a buscar, nos bens materiais, o preenchimento do seu vazio interior.

A frustração profissional, amorosa, financeira ou existencial, é o sentimento que está na raiz desse distúrbio. A questão é que, como dizem os mestres budistas, cada desejo, quando satisfeito, é substituído imediatamente por outro, num círculo sem fim.

A mente é uma criadora de desejos, ela nos leva a acreditar que sempre haverá algo que garantirá a nossa felicidade, seja um objeto, uma pessoa ou uma situação.

Se não conseguirmos despertar em nós a chama da consciência e aprendermos a encontrar em nosso interior o preenchimento de nossas carências, seguiremos escravizados pela obsessão de possuir o que quer que seja.

Resgatar o estado de simplicidade e inocência com que chegamos ao mundo é a única forma de nos libertarmos dessa prisão. Então, a resposta para o que de fato necessitamos virá da fonte original do ser, e não mais da mente ilusória, que nos direciona a criar inúmeros obstáculos para a felicidade.

“O seu sentimento e o seu pensamento tornaram-se duas coisas diferentes e esta é a neurose básica. Aquele seu lado que pensa e aquele seu lado que sente tornaram-se dois e você identifica-se com a parte que pensa e não com a parte que sente.
E sentir é mais real do que pensar; sentir é mais natural do que pensar.

Você nasce com um coração que sente, mas o pensamento é cultivado, ele é-lhe dado pela sociedade. E o seu sentimento tornou-se algo suprimido.
Mesmo quando você diz que sente, você apenas pensa que sente. O sentimento tornou-se morto e isto aconteceu devido a determinadas razões.

Quando uma criança nasce, ela é um ser que sente; ela sente coisas, mas ela ainda não é um ser pensante. Ele é natural, como tudo o que é natural, como uma árvore, um animal. Começamos, entretanto, a moldá-la a cultivá-la. Ela terá de suprimir os seus sentimentos e, se isto não acontecer, estará sempre com dificuldades.

Quando quiser chorar, não poderá fazê-lo, pois os seus pais a censurarão. Será condenada, não será apreciada e nem amada. Não será aceita como é.
Deve comportar-se de acordo com determinada ideologia, determinados ideais. Só, então, será amada.

Do modo como ela é, o amor não se destina a ela. Só pode ser amada, se seguir determinadas regras. Tais regras são impostas, não são naturais.
O ser natural dá lugar a um ser suprimido e aquilo que não é natural, o irreal é-lhe imposto.

Esse “irreal” é a sua mente e chega um momento em que a divisão é tão grande que já não se pode mais ultrapassá-la. Você se esquece completamente do que a sua verdadeira natureza foi ou é.

Você é um falso rosto; o semblante original perdeu-se. E você também receia sentir o original, pois no momento em que o sentir toda a sociedade se voltará contra si.

Você, portanto, coloca-se contra a sua natureza real.

Isto cria uma situação muito neurótica. Você não sabe o que quer; ignora quais são as suas necessidades reais e autênticas, pois somente um coração que sente pode dar-lhe a direção e o significado das suas necessidades reais.

Quando elas são suprimidas, você passa a criar necessidades simbólicas. Por exemplo, você pode começar a comer cada vez mais, enchendo-se de alimento, e nunca sentir que está satisfeito.

Você tem necessidade de amor, não de comida. A comida e o amor, entretanto, estão profundamente relacionados. Quando a necessidade de amor não é sentida, ou é suprimida, uma falsa necessidade de comida é criada.

Você pode continuar comendo; posto que a necessidade é falsa, ela jamais poderá ser preenchida. E vivemos entregues a falsas necessidades.
Por isso não há realizações”. Osho

Ótima semana,

Namastê,

Pedro Michepud Rizzo

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