Quando a gente anda sempre pra frente

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“Quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe”.

Dentre tantas frases, uma mensagem do clássico Pequeno Príncipe me saltou aos olhos: “Quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe”.

Me peguei refletindo sobre isso e penso que essa mensagem resume muitos aprendizados que devemos carregar na vida. Há quem insista num caminho e segue-o até o final; há quem se disponha a realizar os sonhos dos familiares e leva isso como missão de vida; há quem construa crenças sobre o mundo e as pessoas e as carregam por toda a vida. Certamente não há nada de errado em ter metas e batalhar para conquista-las, mas acredito que sábio é aquele que sabe parar, rever e, muitas vezes, redesenhar a rota.

Nem sempre aquilo que sonhamos aos vinte e poucos anos é o que faz nosso coração vibrar aos quarenta. Na natureza, tudo passa por mudanças e, não diferente disso, assim somos nós. Enquanto as estações passam, uma árvore muda e o ambiente se adapta às intervenções de cada geração humana.

Porém, há quem insista em manter convicções antiquadas, trilhar caminhos sinuosos, manter um comportamento egoísta e ser feliz de fora para dentro. Acredito, justamente, que somente o contrário poderá trazer a genuína felicidade. Ou seja, ser feliz de dentro para fora.

Se um dia você desejou seguir determinada profissão mas hoje você sente que isso não o faz feliz, tenha a sabedoria de mudar de estrada e bancar suas escolhas. Se você escolheu uma pessoa e, um dia no passado, jurou o amor eterno que hoje já não existe mais, tenha a delicadeza de dar passagem aos seus sentimentos. Se você sempre alimentou preconceitos seja racial, opção sexual ou até mesmo ideológico, permita-se rever e buscar o caminho da empatia e da serenidade.

Uma vida sem metas é uma vida frágil, vazia, sem sentido. Mas de nada adiantam objetivos se não tivermos o bom senso para lapidá-los conforme o amadurecimento que os anos nos proporcionam. Tenha metas, claro. Persiga-as. Mas não seja um bárbaro que marcha por um caminho passando por cima de pessoas, de situações e do próprio coração. Numa dessas, ao caminharmos sem visitar as oportunidades e as portas que se abrem, perdemos a chance de enxergar as sutilezas da estrada.

Não é possível ir tão longe se andarmos sempre a frente, já disse o Antoine de Saint-Exupéry. Às vezes, explorar o caminho ao lado pode ser mais rico e valioso do que qualquer escolha.

Tire suas viseiras e acrescente flexibilidade na sua vida. Experimenta.

Amor, luz e consciência. Sempre.

Cíntia Michepud

1 comentário Adicione o seu

  1. Tema delicado. Persistimos por convicção e mudamos de rumo por discernimento. A questão é saber quando estamos sendo teimosos e contraproducentes e quando a persistência é virtude. Penso que a solução está no desenvolvimento de competência cognitiva de sorte a saber distinguir as coisas e levar na devida conta o nosso envolvimento emocional. Aprender a pensar metodicamente usando um referencial que também contemple a totalidade foi a solução que encontrei para resolver a parte racional do problema. A emocional só evolui um pouco com a idade e a experiência.

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