O Olhar do Alquimista

Sobre como lidar com suas dores.

Olhe para a abundância. Não olhe para a escassez.

Veja quantas coisas boas estão acontecendo. Veja quanta coisa para agradecer.

Recentemente eu tenho ouvido isso o tempo inteiro.

Esse olhar da abundância é como uma nova forma de dizer, olhe o copo meio cheio e não o copo meio vazio.

Mas o lance é que às vezes a gente simplesmente não consegue olhar o copo meio vazio. Às vezes só o que enxergamos é a escassez. O que falta. O que não tá legal.

E por mais que você tente, às vezes parece impossível.

E eu fico me cobrando pra mudar. Pra olhar diferente. Pra agradecer. Pra ver todas as bençãos de tudo o que me acontece.

E eu confesso que sempre fui bom nisso. Sempre fui um cara hábil em poder ver o incrível lado bom da vida.

Mas o problema disso é que muitas vezes fugimos do problema. Olhamos para o que existe de bom na vida e nas circunstâncias, mas não observamos direito o problema.

Não olhamos para a dor. Fugimos dela.

Tentamos mudar o pensamento. Pensar em outra coisa. Ao invés de pensar nessa dor que sinto, vou olhar para como tenho amigos incríveis, uma família que me apoia e todas as coisas boas que me acontecem.

Legal. Isso faz bem. Eu me sinto melhor, minha frequência se eleva.

Mas o que incomoda ainda está lá. E de tempos em tempos vai voltar para te tirar o sono. Para te botar para baixo. Para te lembrar desse assunto não resolvido.

É como uma conta que você não pagou. Você sabe que tem que pagar, mas prefere fazer algo legal e pensar em coisas boas ao invés de pagar. Mas sua mente sempre vai se lembrar de que vc tem que finalizar esse assunto. E até que você pague, esse incômodo vai existir.

E é por isso que eu comecei a olhar para o que incomoda. Comecei a olhar para minhas dores. Para as sombras. Para tudo o que está dentro de mim ainda não resolvido.

Eu comecei a me permitir olhar para a escassez e para o copo meio vazio. Não para reclamar da vida, mas para entender porque eu sentia o que sentia. Entender porque me vinham pensamentos negativos, porque vinham emoções negativas e porque eu ficava para baixo.

Para que da próxima vez que eu olhar para o copo meio vazio, eu não sofra e tenha que mudar de olhar. Mas para que ao ver o copo meio vazio eu apenas veja um copo meio vazio. Sem sofrer, sem reclamar, sem julgar, sem me punir e sem ter medo.

E ao fazer isso eu tenho entendido uma coisa.

Não é nem o olhar da abundância nem o olhar da escassez que eu quero cultivar. É o olhar do alquimista.

O olhar do alquimista é transformar chumbo em ouro, dor em amor, sombra em luz.

É acolher aquilo que você tem dentro de você que incomoda.

É poder tratar-se com carinho e com amor. É poder gostar de quem você é. Sem ter que recorrer a subterfúgios, truques e controle da mente para pensar coisas boas e ver apenas luz.

É poder ver a sombra e se sentir feliz por ter sombra. É poder olhar para dentro de si e conseguir sentir gratidão por quem você é. É poder olhar para as coisas que doeram no passado e não sentir mais a mesma dor daquele momento. Mas sentir uma sensação de que você deveria passar por aquilo tudo. Sentir que nada mais faria sentido, senão aquilo.

Alquimia é transmutação. Transmutar algo que te faz sofrer em algo que te traz amor. Transformar dor em amor. E todos os sentimentos negativos em gratidão.

Ninguém me ensinou esse olhar do alquimista. Mas é assim que me sinto quando encaro meus medos de frente. Quando me permito explorar as partes mais dolorosas de mim mesmo. Quando entro nos traumas.

Eu não sou especialista nisso e nunca estudei alquimia.

Sou apenas alguém tentando acolher minhas sombras para poder viver livremente sendo que eu sou de verdade…

Esse texto é de Gustava Tanaka e compartilhei com vocês para trazer essa visão de que, sim, nem tudo é lindo e a vida não é cor de rosa. Claro que é fundamental alimentarmos o lado bom da vida, mas temos que ter a maturidade espiritual de olhar para o que nos incomoda de frente parando, assim, de sublimar as situações que nos desafiam. Esse é o caminho da evolução. Isso é o que nos transforma a cada dia.

Que saibamos olhar os nossos desafios e dificuldades com amor – e nos amar e aceitar profunda e completamente, apesar disso.

Amor, luz e consciência. Sempre.

Cíñtia Rizzö

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